Guerra Rússia-Ucrânia

Explicador

“Isto até se ensina nas escolas da diplomacia”: conselhos de Witkoff a Moscovo reacendem debate sobre limites das negociações

A divulgação de uma conversa entre Steve Witkoff, enviado especial da Casa Branca, e representantes do Kremlin, onde terão sido sugeridas formas de elogiar Donald Trump e classificá-lo como “o verdadeiro homem da paz”, está a relançar a discussão sobre até onde vão os limites dos bastidores diplomáticos. No explicador desta quinta-feira, o coronel Mendes Dias analisa o episódio e o seu impacto nas negociações.

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Para o comentador da SIC, estes conselhos “não são estranhos” no universo diplomático. Recorda que estudar o interlocutor, desde o estilo pessoal à forma de reagir ao conflito, “é prática comum” e até ensinada formalmente. O especialista sublinha que, nas negociações, há sempre tentativas de moldar a postura do outro lado para garantir abertura, mesmo que tal possa parecer eticamente ambíguo fora desse contexto.

"Independentemente do nosso agrado ou desagrado, conforme um dos situamos. Repare que também há tempos, Keith Kellogg fazia o mesmo, o aconselhado era para o Presidente Zelensky e nós não dissemos nada.
Às vezes as coisas parecem que, do ponto de vista da linguagem, são mais simples que aquela elaboração que nós fazemos da diplomacia", explica Carlos Mendes Dias.

Já sobre o impacto político, o comentador relativiza a polémica. Defende que, independentemente do lado, as conversas informais fazem parte de um processo onde o que realmente pesa são “os equilíbrios de poder” e as condições no terreno. O coronel lembra que, mais do que declarações públicas, será a evolução militar a determinar a margem real de cada parte nas negociações em curso.

Além da análise da guerra no terreno, o comentador da SIC reage também às recentes declarações do Presidente russo, Vladimir Putin, sobre esta nova proposta do Plano de Paz para a Ucrânia.