Histórias de 28mm

O rapaz que queria fazer amigos

Rui Caria

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Repórter de imagem/ Fotojornalista

"Mãe, eu te amo". Foram estas as palavras que o Gabriel Vinícius, de 12 anos, disse à sua mãe antes de irmos fotografar.

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Carrega uma mochila cheia de livros que gosta de ler nos intervalos de tudo. E ler, parece ser a atividade mais importante na vida deste rapaz, a quem foi diagnosticada, há três anos, a síndrome de Asperger, uma das doenças do autismo.

Sozinho ou acompanhado, é nos livros que submerge, deixando para trás o mundo dos outros meninos que vivem numa "normalidade" que ele não compreende completamente, e por isso, os amigos são em número muito reduzido.

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A viver na Ilha Terceira, com a mãe, o Gabriel sente-se mais seguro do que no Brasil, onde nasceu; "aqui não tem ladrão", assegura, numa inocência que o faz caminhar em paz, todos os dias, até à escola, para frequentar uma turma de ensino especial.

No fim das aulas, a meio da tarde, volta para casa ou vai ao encontro da mãe no emprego, sempre que parte uma chave na fechadura da porta do prédio, que diz custar tanto a abrir.

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"Gostava de ser programador de jogos para computador; na verdade, já sou...", relembra o Gabriel, referindo a inscrição que já tem num site dedicado a jovens programadores, e onde diz já ter criado um jogo. Mas tem outros interesses; desde a vida marinha às plantas, passando pelos pássaros.

Este jovem, que diz não se esquecer de tudo o que lhe interessa, mesmo que não seja importante para os outros, mostra uma sede de conhecimento que parece não ter fim.

Rui Caria

O Gabriel sabe da doença que o vai acompanhar para sempre e está a aprender a lidar com ela a cada dia que passa, filtrando as coisas que gosta menos e tentando ignorar as acções de quem ainda o trata mal só porque não o entende.

Diz que gosta de estar com gente, mais do que estar sozinho, mas são poucos os que querem estar com ele; "é a única desvantagem da minha doença, não conseguir fazer amigos".

Troca o Bullying, de que ainda é vítima na escola, pela felicidade de achar que não há crime na Ilha. E sublinha com um sorriso gigante, a segurança que sente ao passear com a mãe pelas ruas da cidade ou pelo areal, onde gosta de passar algum tempo a juntar conchas ou simplesmente, a olhar o mar.

Rui Caria

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