Telescópio Hubble

Exoplaneta que desapareceu misteriosamente afinal era outra coisa

Ilustração da colisão entre dois grandes corpos que orbitam a estrela Fomalhaut.

NASA / ESA

Dados do telescópio Hubble revelam o que é o objeto fora do nosso sistema solar apelidado Fomalhaut b.

O - alegado - exoplaneta Fomalhaut b, a 25 anos-luz, foi visto pela primeira vez em 2004 mas desapareceu de forma misteriosa em 2014. Desde então que os cientistas procuram uma explicação. Ela surgiu agora mas completamente diferente do que se estava à espera.

Era tido como um dos primeiros exoplanetas descobertos que era visível através do Telescópio Espacial Hubble da NASA e da ESA. Quando os astrónomos o viram pela primeira vez em 2004 e depois em 2006 - e anunciado aos habitantes do planeta Terra em 2008 - , o planeta aparecia como um ponto brilhante que se movia rapidamente pelo céu. Dez anos depois, esse ponto tinha desaparecido.

E desde então mais nada se soube sobre o Fomalhaut b.

Esta semana, um novo estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), vem propôr a solução para o "Mistério do Exoplaneta Desaparecido" - e, tal como qualquer boa história de detetives, há uma reviravolta no final.

Se calhar, Fomalhaut b desapareceu porque nunca foi um planeta. Pode ter sido uma colossal nuvem de detritos gelados criada por uma violenta colisão entre dois fragmentos planetários.

Tal colisão ocorreu provavelmente num anel de detritos de gelo semelhante à Cintura de Kuiper do nosso sistema solar e muito pouco antes de o Hubble ter avistado o suposto exoplaneta, que foi na altura em que a nuvem de partículas de poeiras que se gerou após a colisão ainda estava densamente concentrada, logo, visível.

Mas lá porque se conclui que afinal nunca existiu este exoplaneta, não quer dizer que a descoberta tenha sido menos importante e interessante.

De certa forma, este caso de "identidade cósmica equivocada" torna a descoberta sobre o que terá acontecido na órbita de Fomalhaut "ainda mais rara e empolgante", disse Andras Gaspar, principal autor do estudo, citado no site da ESA.

"Estas colisões são extremamente raras, por isso é muito importante termos conseguido ver provas de uma. Estávamos no lugar certo e na hora certa para testemunhar um evento tão improvável com o Telescópio Espacial Hubble da NASA", o astrónomo assistente do Observatório de Steward da Universidade do Arizona.

O que é um exoplaneta

Um exoplaneta é um planeta fora do nosso Sistema Solar, às vezes também chamado planeta extrasolar, como explica o site da ESA.

No final de 2019 já estavam confirmados mais de 4000 exoplanetas. Alguns são maciços como Júpiter, mas orbitam muito mais perto de sua estrela do que Mercúrio em relação ao nosso Sol, outros são rochosos ou gelados e muitos simplesmente não têm qualquer semelhança com o nosso Sistema Solar.

Existem sistemas com mais do que um planeta, outros com um planeta a orbitar duas estrelas e até alguns planetas que podem até ter as condições certas para que a água seja estável à superfície, condição necessária para a existência de vida tal como a conhecemos.

As observações do Hubble durante os primeiros 25 anos de missão, em 2015

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