Incêndio na Notre-Dame

Sobreviveu a revoluções e guerras, coroou reis e imperadores. A história de Notre-Dame

Não é só a mais famosa catedral do mundo. Deu nome a obras literárias. Sobreviveu a revoluções, guerras mundiais. Foi atingida pelas chamas esta segunda-feira.

A primeira pedra

A catedral de Notre-Dame de Paris (em português Nossa Senhora de Paris) foi proposta pelo rei Luís VII e pelo bispo Maurice de Sully. A primeira pedra foi colocada em 1163. Terminou quase dois séculos depois, em 1345.

Foi erguida na Ile de la Cité, no centro do rio Sena e coração de Paris, sobre os restos de duas antigas igrejas. Uma usada pelos Celtas e mais tarde pelos romanos, que ali ergueram um templo de devoção ao deus Júpiter.

A outra, uma igreja do cristianismo de Paris, a Basílica de Saint-Etienne. Maurice de Sully terá convencido o rei que a igreja era pouco digna dos novos valores e mandou demoli-la. Nasceu assim a Notre-Dame.

Saqueada, destruída e erguida

Durante a Revolução Francesa, Notre-Dame foi saqueada. Tesouros foram roubados, estátuas e imagens que remetessem ao catolicismo e à monarquia, destruídos. Nessa época, a catedral chegou a servir de armazém para alimentos.

Só voltou às mãos do Vaticano, no fim do processo revolucionário, quando Napoleão Bonaparte a devolveu à Igreja Católica. Nesta fase foi alvo de uma intervenção profunda que permitiu restituir a sua imagem gótica.

Foi palco da coroação do rei Henrique VI de Inglaterra, durante a Guerra dos 100 anos, do imperador Napoleão Bonaparte e da beatificação de Joana d'Arc. Voltou a ser ferida em 1871 durante a Comuna de Paris. Sobreviveu ainda a duas guerras mundiais.

Esta segunda-feira, foi atingida por um violento incêndio que destruiu a cobertura do edifício.

Local de culto e inspiração

Victor Hugo, um dos maiores nomes da literatura francesa, não se conformou com as renovações promovidas por Napoleão Bonaparte. Em 1831, resolveu escrever "Notre Dame de Paris", em homenagem ao edifício. O livro chamou a atenção para os vitrais e para as gárgulas e fez despertar, junto dos franceses, a necessidade de reabilitar a catedral.

O romance ficou conhecido nos quatro cantos do mundo como "O Corcunda de Notre-Dame". Deu origem a várias produções cinematográficas.

Do ponto de vista arquitetónico, é considerado um dos exemplos mais equilibrados e coerentes do período gótico. A forma final resultou de um conjunto de modificações, ampliações e restauros. Tem duas torres de 69 metros de largura e 139 metros de comprimento e uma fachada com 40 metros de largura.

Oito séculos depois (mais concretamente 856 anos depois) Notre-Dame é um local turístico e de culto. Todos os anos são realizados 2.000 serviços religiosos. É o monumento histórico mais visitado da Europa. Recebe 12 milhões de pessoas todos os anos.

KM 0 do território francês

O marco zero das estradas em França é mesmo em frente à catedral, ou seja, é a partir dali que são medidas as distâncias no território francês.

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