A autoestrada 25 esteve aberta à circulação no meio de chamas e faúlhas, com veículos a fazerem inversão de marcha em contramão. A concessionária Ascendi admite que a via só foi encerrada cerca de 50 minutos depois do primeiro alerta e garante que nesse período houve várias interações com as autoridades.
“Esta estrada tem de estar cortada”, ouve-se um condutor dizer, num vídeo que gravou enquanto circulava pela via, perante as chamas. “Isto está um inferno. Não sei como deixaram (...) entrar aqui. Estou muito assustado.”
Questionado pelos jornalistas, o primeiro-ministro desvalorizou.
“Creio que não vale a pena estramos a arranjar polémicas onde elas não existem. Quando há fogos e avanços repentinos dessas ocorrências (...), há sempre situações-limite”, afirmou Luís Montenegro.
A situação-limite na A25, por pouco, não acabou muito mal. É o que revela o testemunho de Paulo Costa, motorista de um camião, que saiu de Aveiro em direção a Espanha, por aquela autoestrada, pelas 7h00.
“Já se via um fumo enorme, parecia uma montanha muito negra. Chegou a uma altura em que era fogo de um lado e do outro, e os carros a pararem todos”, descreve. “O fogo vinha na nossa direção com uma velocidade louca.”
Luís Montenegro, que viajava de Espinho para Lisboa, diz que esteve por perto e até foi ele que ajudou a acionar o corte de estradas.
“Estive numa dessas zonas. Tive ocasião, eu próprio, de falar com a ministra da Administração Interna, de falar com o comandante-geral da Guarda Nacional Republicana, de falar com todos os presidentes de câmara onde esses episódios estavam a revelar-se, para que as forças de segurança pudessem evitar que algumas portuguesas e portugueses fossem encaminhados para esses sítios - e para que aqueles que já lá estavam pudessem ser evacuados. Isso aconteceu. E, portanto, funcionou”, afirmou, em declarações aos jornalistas.
O primeiro-ministro garante que funcionou, mas o retrato de quem passou no meio das chamas não é coincidente.
“Não havia nada a fazer parar o trânsito”, conta Paulo Costa. “Não havia qualquer tipo de autoridade.”
Ascendi admite demora de 50 minutos no corte
A SIC contactou a Ascendi, concessionária da Autoestrada A25. A empresa assume que os primeiros cortes demoraram quase uma hora, tendo sido efetivados apenas às 7h54.
O aparecimento de um novo foco de incêndio provocou, de acordo com a Ascendi, "iniciativas de inversão de marcha para saída no nó do Estádio”, que acabou por ser cortado apenas mais tarde.
A concessionária alega que às 7h05 detetou fumo em câmaras visionadas na Central de Controlo de Tráfego e que enviou de imediato um primeiro meio para avaliar a situação.
Um quarto de hora depois, às 7h21, foram as autoridades que informaram a Central “da existência de um foco de incêndio na berma”.
Foi deslocado um segundo meio operacional. Mas o corte dos acessos à A25 só foi decidido mais de meia-hora depois do primeiro alerta, em dois novos contactos com as autoridades.
O que não aconteceu foi um quase milagre, nos mais de três quartos de hora até ao primeiro bloco de encerramentos nas entradas da A25.
Sem falar do assunto, o Presidente da República pediu aos políticos que sigam a lição que aprendeu em 2017 e não apareçam por perto do fogo. Instantes depois, o primeiro-ministro contou que tinha estado num dos acessos, quando regressava do Norte.
