Mais de metade do território continental mantém-se em risco máximo de incêndio, sobretudo nas regiões Norte e Centro. O restante território está em risco elevado ou muito elevado. Nos últimos 25 anos, e por diversas vezes, o mês de julho revelou-se particularmente difícil por causa dos incêndios. Nos últimos dois anos, a área ardida foi residual, o que pode mostrar que Portugal se está a preparar melhor para os incêndios, como explica o comandante António Rodrigues, quadro de honra dos Bombeiros da Pontinha e investigador na área da Proteção Civil.
"Com a aprendizagem que tivemos desde o início deste século e porque os primeiros 10 anos são muito significativos em termos de área ardida, se compararmos com o subsequente (...) O grande paradigma que nos dá a alerta de mudança aparece em 2017, em junho, com Pedrógão Grande e depois, em outubro, ambos com grandes fatalidades. O que é que aqui podemos, de alguma maneira, concluir? Aquilo que nós tínhamos como certo, aquela periodicidade de incêndio, 15 de julho, 15 de agosto, há aqui uma mudança de paradigma. O comportamento da meteorologia, o comportamento da conjuntura e da estrutura de vegetação no país fazem oscilar a eclosão dos grandes incêndios e as condições mais graves", refere António Rodrigues.
O investigador da área da Proteção Civil destaca o momento de viragem em 2017, com o grande incêndio de Pedrógão Grande em julho e depois em outubro, na zona Centro.
"Há um conjunto de medidas que são implementadas, como "Portugal Chama", "Aldeia Segura", há uma sensibilidade junto da população para o corte da vegetação. As pessoas também tiveram medo, tiveram receio, perceberam que se morre nos incêndios, perceberam que é preferível ter uma atitude preventiva, uma atitude correta, uma resposta séria", realça.
Em 2023 e 2024, a área ardida em Portugal foi praticamente residual em julho, não chegou aos 2 mil hectares. Este ano, os dados mostram que até ao dia 30 tinham ardido cerca de 23 mil hectares, muito mais do que no ano passado, mas muito menos que nos anos mais negros.

