O incêndio que deflagrou na madrugada de quarta-feira, na freguesia do Piódão, concelho de Arganil, continua a ser o que mobiliza mais meios de combate no país. Pelas 18h50 desta quinta-feira, estavam no terreno 817 operacionais, apoiados por 276 viaturas e três meios aéreos, segundo a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil.
A frente mais intensa lavra desde o início da manhã na zona de Pampilhosa da Serra, junto à aldeia de Mourisias. Em entrevista à SIC Notícias, o presidente da Câmara de Arganil, Luís Paulo Costa, explicou que a altitude e os ventos muito fortes têm dificultado significativamente o combate às chamas em todo o concelho.
"Tivemos alturas em que o fogo progrediu a uma velocidade de três quilómetros por hora, o que é uma brutalidade e tornou o combate muito difícil", sublinhou o autarca.
Ainda assim, Luís Paulo Costa garantiu que "o empenhamento total dos meios" na quarta-feira foi determinante, considerando que, face às circunstâncias, "foi feito o melhor possível".
Segundo o autarca, a situação agravou-se esta quinta-feira com a propagação do incêndio a concelhos vizinhos, o que obrigou à dispersão dos meios de combate e levou a uma notória falta de recursos no terreno. Questionado sobre a eventual ativação de mecanismos europeus de apoio, o autarca sublinhou não ter competência para se pronunciar, mas admitiu que "hoje efetivamente sentimos a necessidade de meios que não tivemos no terreno (...) se existissem mais meios no terreno, poderiam ter feito a diferença”.
Entre as zonas mais afetadas está o Piódão, que, segundo o autarca, "foi completamente varrido" pelas chamas.
"Naturalmente, a paisagem ficou prejudicada. O rescaldo neste momento não é bonito, mas a natureza tem uma força extraordinária e, daqui a um ano, o concelho estará novamente verdejante e com um postal bonito", disse, lamentando o impacto negativo imediato no esforço de promoção turística da aldeia histórica.

