Operação Lava Jato

Lava Jato acusa ex-assessor da presidência da brasileira Petrobras de corrupção

Sergio Moraes

Armando Tripodi pediu ao então representante do estaleiro Keppel Fels subornos em troca da viabilização de melhor acesso e contactos com o presidente da Petrobras na época.

A Operação Lava Jato do Paraná acusou esta quarta-feira o ex-assessor chefe da presidência da estatal brasileira Petrobras, Armando Tripodi, pela alegada prática dos crimes de corrupção passiva e branqueamento de capitais, entre 2011 e 2013.

Segundo a acusação, Tripodi pediu ao então representante do estaleiro Keppel Fels, Zwi Skornicki, subornos em troca da viabilização de melhor acesso e contactos com o presidente da Petrobras na época, Sérgio Gabrielli.

"A vantagem indevida foi de facto paga mediante o custeio de aparelhagem de som e serviços de automatização para a residência do denunciado, num montante de 90 mil reais [19 mil euros] ", assegurou, em comunicado, o grupo de trabalho da Lava Jato, a maior operação contra a corrupção no Brasil.

A acusação refere que foram recolhidas diversas provas documentais no curso da investigação, como e-mails, registos telefónicos e de reuniões entre os envolvidos, que permitiram constatar que Skornicki efetuou o pagamento dos serviços de som e automatização contratados por Tripodi, e prestados pela empresa Prattis.

Segundo a procuradora e membro do grupo de trabalho da Lava Jato, Laura Gonçalves Tessler, "a denúncia revela a ousadia e a elevada crença na impunidade por parte do funcionário público denunciado: as provas apontam que solicitou e de facto recebeu subornos mediante o custeio de bens e a prestação de serviços em sua própria residência".

Num acordo de colaboração premiada (benefício legal concedido a um réu que aceite colaborar com a investigação criminal) com o Ministério Público Federal do Brasil, Skornicki assumiu o acordo de pagamento de subornos, assim como a concretização dos pagamentos ilícitos a favor do ex-assessor chefe da petrolífera.

"Trata-se de mais um caso em que multinacional se valeu de intermediário para corromper funcionários públicos no Brasil. Dessa vez, o suborno foi pago mediante o custeio de bens de luxo do ex-assessor chefe da maior estatal brasileira, a Petrobras", concluiu, em comunicado, o procurador da República, Roberson Pozzobon.

Armando Tripodi já é réu na operação Lava Jato, numa outra ação penal, pela alegada prática dos crimes de corrupção passiva, crimes contra o sistema financeiro, como gestão fraudulenta e desvio de recursos de instituição financeira, branqueamento de capitais e organização criminosa, envolvendo a construção da Torre Pituba, edifício em Salvador, no estado da Bahía, que seria posteriormente alugado para a Petrobras.

Lançada em 2014, a investigação Lava Jato trouxe a público um gigantesco esquema de corrupção de empresas públicas, implicando dezenas de altos responsáveis políticos e económicos, e levando à prisão de muitos deles, como o antigo Presidente brasileiro Lula da Silva, entretanto libertado.

Lusa