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Amnistia Internacional desafia FIFA a liderar causa LGBTQIA+

Amnistia Internacional desafia FIFA a liderar causa LGBTQIA+
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A FIFA comunicou que adiantará a campanha "Não à discriminação", prevista a partir dos quartos de final do Mundial 2022.

A Amnistia Internacional (AI) considerou esta segunda-feira que a FIFA devia "tomar medidas proativas" na proteção das pessoas LGBTQIA+ ao invés de ameaçar sanções aos futebolistas que defendam esta causa.

"(A FIFA) Deve não apenas encorajar mensagens de igualdade, mas também tomar medidas proativas para garantir que as pessoas LGBTQIA+ sejam protegidas", vincou Steve Cockburn, diretor de justiça económica e social da Amnistia Internacional.

Em causa as ameaças da FIFA a jogadores e seleções pela intenção de usarem braçadeiras One Love, uma mensagem de apoio para a comunidade LGBTQIA+, com a AI a entender que o organismo que rege o futebol mundial está a falhar na defesa dos direitos humanos e da igualdade.

Hoje mesmo, a FIFA comunicou que adiantará a campanha "Não à discriminação", prevista a partir dos quartos de final do Mundial 2022, a fim de permitir que os 32 capitães das seleções possam usar essa braçadeira durante o torneio.

O organismo máximo do futebol mundial antecipou a sua intenção, explicando que a mesma está em consonância com os regulamentos de equipamentos da FIFA, que estipulam que cada capitão usará a braçadeira por si homologada.

A polémica das braçadeiras ganhou relevância quando sete federações europeias -- nas quais não se incluía a portuguesa - se uniram no sentido de utilizar uma braçadeira com a inscrição One Love, em alusão à igualdade, mas que a FIFA avisou não ser possível, falando mesmo de sanções.

"Ameaças de última hora para punir jogadores por usarem mensagens de apoio aos direitos humanos e à igualdade é o exemplo mais recente da FIFA, que falha na defesa plena dos seus próprios valores e responsabilidades. O desporto não acontece no vácuo e essas são questões nas quais a FIFA deveria liderar, não reprimir", criticou o responsável da AI.

De igual modo, reforçou a ideia de que acordos sobre braçadeiras e melhores proteções para as comunidades LGBTQIA+ "deveriam ter sido alcançados há muito tempo".

"Aplaudimos a coragem das equipes e jogadores que se manifestaram sobre os direitos humanos e esperamos que continuem a fazê-lo. Adeptos, jogadores e federações querem garantir que o futebol seja um veículo para promover os direitos humanos, e a FIFA precisa atender a esses apelos rapidamente", reforçou.

Inglaterra, País de Gales, Bélgica, Dinamarca, Alemanha, Países Baixos e Suíça dispensaram os seus capitães do uso da braçadeira, face à possibilidade de serem penalizados, mas referiram estar "frustrados" com a inflexibilidade demonstrada pela FIFA.

Steve Cockburn deixou ainda uma palavra para os trabalhadores migrantes "que tornaram o torneio possível", recordando que estes "devem ser totalmente compensados pelos abusos indescritíveis que sofreram".

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