Mundo dos Animais

Águia-real "Vitis" regressa à natureza após recuperação

Uma das espécies mais ameaçadas da avifauna portuguesa foi devolvida à natureza em Idanha-a-Nova, numa ação que incluiu anilhagem científica e um GPS para monitorizar os seus movimentos e apoiar medidas de conservação.

Águia-real "Vitis" regressa à natureza após recuperação

"Vitis", uma jovem águia-real (Aquila chrysaetos) que foi encontrada debilitada na zona de Zebreira, no concelho de Idanha-a-Nova, voltou esta semana à natureza depois de ter sido recuperada pelo CERAS – Centro de Estudos e Recuperação de Animais Selvagens. A espécie está classificada como “Em Perigo” em Portugal e cada indivíduo tem um peso significativo na conservação da avifauna nacional.

Segundo o CERAS, a ave "apresentava uma infeção subclínica detetada através de análises sanguíneas, o que poderá ter provocado prostração e desorientação". Ao longo do tratamento, a equipa observou uma recuperação progressiva e as análises subsequentes indicaram que estava pronta para regressar ao meio natural.

"Ao longo do tratamento, observámos um aumento de energia e atividade na ave e após segundas análises percebemos que estava num ótimo caminho para a libertação!"

GPS para seguir movimentos e identificar riscos

A devolução à natureza foi acompanhada pela Rewilding Portugal e pelo técnico e anilhador Carlos Pacheco, que apoiaram a anilhagem científica e a colocação de um dispositivo GPS. Estes instrumentos vão permitir monitorizar os deslocamentos da Vitis e identificar potenciais ameaças, como colisões com linhas elétricas, envenenamento ou caça ilegal.

A informação recolhida será essencial "para compreender melhor as áreas vitais da espécie, os padrões de movimento e a ecologia alimentar. Estes dados podem ainda orientar medidas de conservação e ser úteis no ordenamento do território, sobretudo em zonas que possam receber parques solares ou eólicos".

CERAS

Uma espécie em perigo e com valor ecológico extraordinário

Em Portugal, a águia-real mantém o estatuto de "Em Perigo" desde 2005. É a maior águia da Península Ibérica, podendo atingir uma envergadura de asas até 2,25 metros. Enquanto superpredadora, desempenha um papel essencial no equilíbrio dos ecossistemas, alimentando-se de coelhos-bravos, lebres, esquilos, raposas, aves e até cabras-montesas.

Por isso, cada indivíduo conta. A libertação de uma ave jovem com potencial para integrar a população reprodutora é vista como um contributo relevante para a conservação da espécie no país.

Dados úteis para o projeto LIFE LUPI LYNX

A monitorização da Vitis terá também importância para o projeto LIFE LUPI LYNX, liderado pela Rewilding Portugal, já que a águia-real é uma predadora relevante de coelho-bravo - espécie-chave para o lince-ibérico e para o lobo.

Saber onde a Vitis caça permitirá definir áreas prioritárias para reforço populacional de coelho-bravo ou intervenções de restauro de habitat previstas no projeto. Ou seja, além de regressar à natureza, a Vitis torna-se também uma aliada no estudo e proteção de outras espécies ameaçadas.

No dia da libertação, estiveram presentes várias equipas envolvidas na proteção da fauna em Portugal: Rewilding Portugal, Vigilantes da Natureza, SEPNA-GNR e os voluntários e estagiários do CERAS. O centro agradeceu ainda o apoio de Carlos Pacheco e da Rewilding Portugal na disponibilização do GPS e na anilhagem, fundamentais para aprofundar o estudo da espécie e acompanhar a evolução da Vitis nos próximos meses.