“É notório que o Benfica está muito pior e os números assim o mostram. Mas compreendo que o Rui diga isso, porque alguém o mandou dizer, já que ele não tem capacidade para analisar as contas”, afirmou.
O antigo presidente explica: “Deixámos o Benfica com uma dívida de 100M€ de euros, bastante controlável, e com um passivo de cerca de 370M€. Neste período, com Rui Costa, o clube teve receitas muito superiores às que tivemos, e por isso não havia qualquer razão para que a dívida subisse mais 100M€, chegando aos 200M€, nem para que o passivo aumentasse outros 100M€. E isto sem falar nos fornecedores, cujas dívidas também subiram significativamente.”
Para Vieira, “quando Rui Costa afirma que o Benfica estaria ainda melhor se não fosse a Covid-19, está a tentar justificar resultados que não dependiam dele”. “Ele não teve qualquer influência nessa questão.”
Quanto ao que Rui Costa recebeu ao assumir a presidência, Vieira é categórico: “Não herdou nada. Estava tudo pago. Quem assumir a seguir terá dificuldades de gestão. Só em custos de tesouraria, o clube terá cerca de 100M€ para pagar rapidamente.”
O antigo presidente não hesita em acusar o atual líder das águias de “promoção pessoal”: “Com essa afirmação, Rui Costa mentiu aos benfiquistas para promoção pessoal.”
“Eu não mostraria as minhas declarações de rendimentos. Isso é um problema de Noronha Lopes”
Depois de se sentir alvo de dúvidas sobre o seu passado profissional e a sua capacidade de gestor, numa reportagem que destacava algumas das suas empresas, João Noronha Lopes recorreu a um canal de televisão e, numa atitude inédita, mostrou as suas declarações de rendimentos dos últimos sete anos. O objetivo foi provar que tem rendimentos próprios e que não depende financeiramente do Benfica.
Luís Filipe Vieira assistiu à iniciativa, mas desdramatizou a situação: “É uma coisa dele. Sempre o tive como uma pessoa idónea. Mas ele é que tomou essa decisão, por isso ele é que sabe.”
O antigo presidente acrescentou: “Olhe, eu não faria isso e sei que muita gente estará contra esta situação, mas é um assunto dele. Fez, está feito. A decisão é dele, não é de mais ninguém.”
“Estes novos estatutos são um fato à medida para os radicais do Manteigas e alguns do Noronha. Perdeu-se a democracia no Benfica. Comigo voltam para trás”
Luís Filipe Vieira não tem dúvidas em afirmar que estes novos estatutos não servem os interesses do Benfica, mas apenas de alguns benfiquistas que, palavras do próprio, “os desenharam como um fato à medida”. E para quem? “Para os radicais que estão com o Manteigas e alguns do Noronha.”
Visam estes estatutos, entre outras medidas, que uma direção pode cair se os sócios chumbarem o relatório e contas duas vezes consecutivas. Mesmo que os números sejam positivos.
Vieira diz que é um reflexo do que está a acontecer no Benfica: “As assembleias gerais são completamente manobradas por um grupo que não representa a maioria.”
O antigo presidente deixa a promessa: “Não sou jurista, mas se ganhar as eleições irei informar-me e tudo o que poder voltar para trás vai voltar para trás.
Vieira considera que estes novos estatutos não respeitam a memória do Benfica e visam acabar com a democracia na instituição.
“Se for presidente, todas as assembleias gerais passam a ser transmitidas em direto pela BTV. Pode ser que assim, aqueles que querem controlar e ferir a democracia não sintam tanta coragem.”
“Comemorei um golo de Jonas na cara de Pedro Proença e disse-lhe: ‘Querias que o Benfica perdesse, não era?’ Comigo não vai ter descanso.”
Por mais do que vez, o antigo presidente das águias tem falado de um manto verde na FPF e na Liga que visa beneficiar o Sporting dentro de campo e que o exemplo máximo disso foi a final da Taça de Portugal, entre Benfica e Sporting, com Matheus Reis a pisar a cabeça de Belotti e a ficar em campo sem expulsão.
“Já o disse várias vezes. Comigo de volta, esse manto verde vai acabar. Vamos ter mantos de várias cores, mas não será um clube a controlar tudo como o Sporting tem feito até aqui.”
Vieira elege Pedro Proença, atual presidente da FPF, como o maior responsável para permitir esse tal manto verde que, segundo ele, serve apenas para prejudicar o Benfica e beneficiar o Sporting. “Comigo não vai ter descanso”, assegura.
Vieira lembra uma história que ocorreu num Boavista-Benfica, jornadas finais da Liga, numa luta acesa entre águias e leões pelo título.
“Nunca fui um presidente de ceder às emoções e estar a comemorar golos à frente de toda a gente. O presidente tem de ser forte nesses momentos. Mas houve uma exceção”.
Vieira lembra que o destinatário desse momento no Bessa foi Pedro Proença, então presidente da Liga.
“Comemorei o golo do Jonas na cara dele e disse-lhe: ‘Querias que o Benfica perdesse, não era?’ Comigo não vai ter descanso.”
