A história foi demais contada: no dia em que José Sócrates foi detido no aeroporto, António Costa era confirmado como novo líder do PS, nas diretas que confirmavam a vitória nas primárias sobre António José Seguro.
A chegada a Secretário-geral socialista era ensombrada pelo envolvimento do ex-líder em crimes de corrupção. Costa enviou um SMS aos militantes para que não confundissem "sentimentos pessoais e de amizade" com "a ação política do PS".
Começava assim a tentativa de Costa de proteger o partido do impacto que o caso pudesse ter nas expetativas políticas dos socialistas - na altura na oposição ao Governo PSD/CDS, mas à espera de poder vencer as Legislativas de 2015.
A "assombração" foi Paulo Portas que o disse. A dias de Sócrates ter sido detido, num debate no Parlamento em que Ferro Rodrigues chamou José Sócrates para o discurso no púlpito para o considerar um herói anti-troika.
Portas respondeu a Ferro que Sócrates era a "assombração" do PS.
Separar a Política da Justiça. Demarcar-se da figura do ex-primeiro-ministro. O PS passou os últimos 6 anos com um incómodo em momentos-chave do partido. E nem quando Sócrates sair do partido, o PS conseguiu desligar-se daquele que foi, em todo o caso, na história do PS, o único primeiro-ministro socialista a conseguir uma maioria absoluta.

