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Operação Marquês

2.ª sessão do julgamento dominada pela PT, relação com Salgado e a "smoking gun" de Sócrates

A 2.ª sessão do julgamento do processo Marquês, que tem o antigo primeiro-ministro como principal arguido, arrancou esta manhã com a intervenção de José Sócrates que, com uma postura combativa e tom aguerrido, tem apresentado o que diz serem provas da sua inocência e de que "a acusação é falsa". Para isso, e começando pela tema PT, Sócrates tem recorrido à "smoking gun" para desmentir a acusação do Ministério Público, mas também para 'disparar críticas' sobre o coletivo de juízas, procuradores e jornalistas. Reveja abaixo os principais momentos que aconteceram, entre portas, na sala de audiências no 6.º piso do Tribunal Central Criminal de Lisboa.

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2.ª sessão do julgamento dominada pela PT, relação com Salgado e a "smoking gun" de Sócrates

SIC Notícias

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Sócrates sai do tribunal a acusar a juíza de hostilidade

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Terminada a 2.ª sessão do julgamento, à saída do tribunal, o arguido José Sócrates acusou a juíza de hostilidade, que "espero ter contribuído para que seja posta de lado". Aos jornalistas, disse que "o que se passou aqui hoje, para quem quis ver, é que não ficou pedra sobre pedra sobre a questão da PT, (...) todas provas que apresentei demonstram a falsidade a que se chegou".

Julgamento será retomado amanhã

A 3.ª sessão do julgamento do processo Marquês está marcada para esta quarta-feira, a partir das 9h30, na sala de audiência no 6.º piso do Tribunal Central Criminal.

Juíza encerra "trabalhos por hoje" mas Sócrates interrompe

Juíza decide avançar, na próxima sessão, para esclarecimentos sobre o tema PT, com o qual José Sócrates deu hoje o 'tiro de partida' com a sua smoking gun, dando seguimento à sugestão da defesa do arguido.

José Sócrates pede a palavra para esclarecimentos e (mais) uma farpa ao Ministério Público. "Primeiro ponto, estou a prestar declarações com maior boa-fé e abertura, e quero responder a perguntas. E quero que isso seja creditado a meu favor. Segundo ponto, ao ouvir o MP, quero dizer que: compreendo bem a observação do MP, quer falar do circuito do dinheiro - expressão que ouço prai há 10 anos - estou absolutamente disponível para falar, desde que o dinheiro seja meu".

Mas "para minha organização, estamos combinados que respondo a perguntas sobre o que falei. Devo preparar já a segunda acusação, [sobre o tema] a Lena? Também preciso de me preparar".

"Todos temos que nos preparar", responde a juíza Susana Seca, acrescentando que, "eventualmente, amanhã falará da Lena, não lhe sei dizer... É exigente para todos. Em qualquer caso, sempre que entender não responder, pode fazê-lo".

Feito o esclarecimento, juíza declara "encerrada a sessão".

Discutem-se questões processuais na sala

Segunda sessão entra nos minutos finais. Coletivo de juízas, advogados, procuradores do MP discutem questões processuais para as próximas sessões, designadamente se à declaração de Sócrates sobre a temática PT/BES deve seguir-se o contraditório ou se, pelo contrário, o arguido deve continuar a sua exposição.

Relação das transferências com factos "são completamente anómalas"

A acusação do MP apresenta-me, diz Sócrates, "um mundo que não conheço, nunca conheci". Transferências entre Salgado e não sei quem... Bataglia, "tudo isso me é completamente estranho". "O que me parece é que por cada uma dessas transferências foram ver o que é que eu tinha feito. Então como não encontram em Portugal foram para o Brasil como podiam ter ido para Marrocos. (...) Isto é tão delirante mas tão delirante, não passa pela cabeça de ninguém pretender que eu enquanto primeiro-ministro me ocupava da política de comunicações do governo brasileiro. Estas transferências e a relação delas com factos são completamente anómalas, ou seja, não há ali um modus operandi". Classificando de "amalucadas as teorias da acusação", Sócrates é repreendido pela juíza pelo uso de adjectivos inadequados em tribunal. Sócrates exalta-se e justifica: "Compreendo que o Estado acuse um cidadão quando tem fundamentos, quando não tem e o faz há 10 anos sem nenhum fundamento", questiona o arguido, como "devo classificar isto? É pedir um pouco demais"

Salgado não, mas o primo Ricciardi, "ele sim tinha o meu número"

Juíza quer saber em que circunstâncias José Sócrates conheceu alguns dos arguidos, nomeadamente Henrique Granadeiro, um homem "inteligente e capaz, escolhido por Mário Lino", mas, garante Sócrates, depois de questionado pela juíza, "nunca fomos amigos". "Ir a casa um do outro? Não, não, lembro-me de ir um dia a uma ocasião social que era importante para ele, mas não podemos dizer que somos amigos, nunca fui a casa dele, ao gabinete dele. Nunca fomos almoçar juntos, [ele, Granadeiro, tinha era] relação com o ministro das Obras Públicas [Mário Lino]".

Já com Zeival Bava tinha "muito poucas vezes, apenas em lançamento de projetos como o E-escolinha, investimentos em Banda Larga - tudo o que fazíamos na altura quando havia um Governo que fazia coisas". Ao contrário de Ricardo Ricciardi, "esse sim tinha o meu número", Ricardo Salgado "não tinha".

Bíblia serve para Sócrates menorizar acusação do MP

Garantindo que só tinha do outro lado do Atlântico contacto com Lula da Silva, Sócrates garante que "não me relacionava com mais ninguém, ainda conheci Dilma mas pouco depois sai do Governo". Não conheço "ninguém no campo das comunicações, nunca discuti a área das comunicações [com Lula ou] (...) com empresários que vejo referidos na acusação, nunca estive com eles, não sei quem são".

O arguido insiste que se trata de uma acusação "fantasiosa, delirante", que segue "a lógica de que: há uma fortuna escondida porque há corrupção, há corrupção porque há uma fortuna escondida, uma justifica-se à outra, a premissa justifica a conclusão, e a conclusão justifica a premissa", diz Sócrates versão filósofo. "No fundo não tem de se justificar nada, e dou um exemplo clássico, a Bíblia que diz sempre a verdade porque foi escrita por Deus. É desta forma que o MP faz a acusação".