Operação Marquês

Juiz Ivo Rosa foi investigado pelo Ministério Público por suspeitas de favorecimento a Sócrates

Em 2021, Ivo Rosa, hoje desembargador na Relação de Lisboa, foi alvo de uma denúncia anónima. O juiz foi, posteriormente, alvo de devassa da vida privada. As autoridades quebraram o sigilo bancário e fiscal, acederam à faturação telefónica detalhada e à localização para seguir todos os seus passos. 

Juiz Ivo Rosa
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O Juiz Ivo Rosa foi perseguido e alvo de devassa da vida privada por suspeitas de corrupção e favorecimento a José Sócrates, quando desmembrou a acusação do Ministério Público no Processo Marquês. Na altura, Ivo Rosa era protegido pela PSP, mas também vigiado pela Polícia Judiciária, que acabou por encerrar o caso. A denúncia anónima foi considerada inconsistente.

Foi seguido durante três anos pela Polícia Judiciária por suspeitas de corrupção, peculato e branqueamento de capitais.

Em 2021, o juiz Ivo Rosa, hoje desembargador na Relação de Lisboa, foi alvo de uma denúncia anónima, que o acusava de favorecer José Sócrates e impedir que o antigo primeiro-ministro fosse parar à cadeia. Em troca teria alegadamente recebido contrapartidas.

A base terá sido a interpretação do magistrado do Processo Marquês, que, há quatro anos, desmembrou a acusação do Ministério Público.

Na denúncia anónima é descrito que Ivo Rosa tinha comprado um carro com 30 mil euros em dinheiro, quando, na realidade, a compra foi feita seis anos antes.

Desde então, tornou-se um alvo dos procuradores do DCIAP.

Autoridades quebraram o sigilo bancário e fiscal

Segundo a TVI, o juiz foi alvo de devassa da vida privada. As autoridades quebraram o sigilo bancário e fiscal, acederam à faturação telefónica detalhada e à localização para seguir todos os passos do juiz.

Os inspetores da judiciária chegaram mesmo a vigiá-lo de perto e por todo o país. Na altura do processo, Ivo Rosa era protegido pela PSP por ordem do SIS.

A denúncia anónima foi considerada pelo procurador-geral adjunto inconsistente.

O processo acabou por ser arquivado, em março do ano passado, e vai ser destruído no Supremo Tribunal de Justiça, depois de o procurador-geral da República ter dado ordem para que o processo continue a ser confidencial e sem a possibilidade de acesso por parte da comunicação social.

E vão três processos-crime arquivados

Como noticiou a SIC no ano passado, Orlando Romano, ex-Procurador Geral Regional, mandou abrir outros dois inquéritos, no espaço de um mês, por suspeitas de prevaricação, abuso de poder, usurpação de funções e violação de segredo de justiça, e que tal como este acabariam arquivados.

Os inquéritos 20/22.4TRLSB e 60/22.3TRLSB, que a SIC consultou, nasceram com pouco mais de um mês de distância, no início de 2022 e ambos por ordem de Orlando Romano.

Antigo diretor do combate ao banditismo da Policia Judiciária (PJ) e ex-diretor nacional da PSP, Romano ocupava nessa altura o cargo de Procurador-Geral Regional de Lisboa. No dia 27 de janeiro desse ano recebeu uma exposição do responsável máximo do DCIAP, o departamento do Ministério Público que investiga os casos mais complexos.

Albano Pinto queixava-se que Ivo Rosa tinha ordenado a destruição de emails apreendidos pelo Ministério Público no chamado "caso das golas" ao então ministro da Administração Interna Eduardo Cabrita, ao secretário de Estado José Neves, ao presidente da Proteção Civil, Mourato Nunes, e a outros 10 suspeitos, a quem o magistrado mandou também notificar e, por consequência, dar conhecimento que tinham sido investigados.