Operação Marquês

Ministra da Justiça classifica Operação Marquês como "guia para o que não pode acontecer"

A ministra da Justiça diz que o julgamento de José Sócrates é um exemplo de tudo o que pode correr mal num processo. Pelo contrário, o presidente do supremo tribunal de justiça diz que se trata de um julgamento complexo que está a ser dificultado pela defesa de ex-primeiro-ministro.

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A saída repentina de Pedro Dellile, advogado de José Sócrates, levou a um novo episódio polémico na Operação Marquês. O advogado oficioso, atribuído pelo Estado, ainda não terá conseguido falar com o antigo primeiro-ministro.

José Ramos pediu ao Tribunal Central Criminal de Lisboa 48 horas para analisar o mega processo, mas a juíza Susana Seca não aceitou a interrupção. A ministra da Justiça não censura a decisão e aproveita para classificar o processo Marquês.

"Todos nós sabemos que este caso representa, tem representado, tudo o que pode correr mal num processo. É um guia para o que não pode acontecer", afirmou Rita Alarcão Júdice, à margem do XIX Encontro Anual do Conselho Superior da Magistratura, que decorre hoje e amanhã em Setúbal.

Opinião diferente tem o presidente do Supremo Tribunal de Justiça. João Cura Mariano diz que se trata de um julgamento complexo que coloca pressão sobre os juízes e determinadas decisões. Não se abstém, no entanto, de afirmar que há um lado a dificultar os trabalhos.

"Há uma defesa que tem colocado dificuldades no exercício dos seus direitos de defesa", apontou João Cura Mariano.

O advogado que acompanhava José Sócrates desde que este foi detido em novembro de 2014, Pedro Delille, renunciou na terça-feira ao mandato para representar o antigo primeiro-ministro.

A saída de Pedro Dellile surge depois de vários confrontos com a juíza, que acabou com o ex-advogado de Sócrates a dizer que se tratava de um julgamento a brincar.

Como o julgamento não pode decorrer sem que todos os arguidos tenham um defensor, o tribunal ordenou a nomeação de um advogado oficioso, habitualmente destinado a representar arguidos com carência económica.

José Sócrates, de 68 anos, está pronunciado (acusado após instrução) de 22 crimes, incluindo três de corrupção, por ter, alegadamente, recebido dinheiro para beneficiar em dossiês distintos o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo (GES) e o 'resort' algarvio de Vale do Lobo.

No total, o processo conta com 21 arguidos, que têm, em geral, negado a prática dos 117 crimes económico-financeiros que globalmente lhes são imputados. O julgamento decorre desde 3 de julho no Tribunal Central Criminal de Lisboa e tem sessões agendadas pelo menos até 18 de dezembro de 2025.

Com LUSA