O julgamento da Operação Marquês dificilmente será retomado antes do Ano Novo. À interrupção de 20 dias, para José Sócrates arranjar um novo advogado, somam-se as férias judiciais. A juíza do processo diz que o objetivo de Sócrates é prejudicar os trabalhos e fala em atos “manifestamente dilatórios”.
No despacho a que a SIC teve acesso, a juíza do processo Marquês fala em abandono da defesa por parte do advogado de José Sócrates, quando, a 4 de novembro, renunciou ao mandato.
A saída de Pedro Delille e os motivos invocados pelo advogado no contexto de um processo tão longo e tão complexo são, para a juíza, mais um exemplo de "atos manifestamente dilatórios" através do "uso abusivo de mecanismos processuais" que têm como propósito "protelar o andamento dos trabalhos".
E nessa "intenção dilatória", a magistrada constata certos comportamentos em sessão de julgamento que resume como "constantes invetivas ao tribunal e à juíza presidente", com o objetivo de minar a credibilidade.
Objetivo é "dilatar no tempo o findar do processo"
A magistrada diz ainda que qualquer "observador médio" percebe que o objetivo é "dilatar no tempo o findar do processo".
Com o risco de prescrição de crimes em breve, a juíza manifesta receio de que o próximo advogado de Sócrates venha também a renunciar e que, a seguir a esse, outros o façam também, obrigando a sucessivas interrupções das audiências e avisa que vai ponderar a natureza dilatória dos expedientes processuais.
A juíza dá agora 20 dias para Sócrates arranjar um novo advogado, depois dará mais algum prazo para se possa inteirar do processo e, entretanto, metem-se as férias judiciais. O mais provável é que estas idas ao tribunal só recomecem em 2026.
