Operação Miríade

Tráfico em missões militares: “Portugal não vai sair destas missões, mas afetará a credibilidade”

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Luís Garriapa, editor de sociedade da SIC, explica o que está em causa no caso do tráfico em missões da ONU.

Militares portugueses destacados na República Centro-Africana são suspeitos de tráfico de diamantes, ouro e estupefacientes. Terão utilizado os meios aéreos das missões ao abrigo das Nações Unidas para fazer o transporte destes produtos.

Luís Garriapa, editor de sociedade da SIC, explica que Portugal não sairá destas missões por causa deste caso, mas que a credibilidade do país sairá afetada.

“Isto não abrange todos os militares que estão envolvidos nestas missões internacionais, mas estas missões ficam logicamente afetadas e a reputação manchada por causa deste caso (…). Até a nível internacional isto pode afetar a imagem de Portugal. (…) Portugal não vai sair destas missões por causa deste caso, mas afetará de certo a credibilidade”, afirma.

Afirma ainda que ainda não são conhecidos todos os pormenores, nem quem está envolvido, mas que o esquema envolveria a venda de diamantes, ouro e estupefacientes “a somas astronómicas num circuito internacional”.

“A República Centro-Africana está proibida de vender estes diamantes e por isso há um circuito paralelo e ilegal onde este tipo de produtos são vendidos a um valor muito superior.”

O que está em causa?

Para além das suspeitas de tráfico de diamantes e ouro, está também em causa a suspeita de branqueamento de capitais e fraude, com o alegado uso de criptomoedas para fazer uma espécie de lavagem de dinheiro, com o objetivo de esconder o que teria acontecido durante as missões.

O Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA), em comunicado, explica que em dezembro de 2019 foi reportado ao Comandante da 6ª Força Nacional Destacada (FND) na República Centro-Africana "o eventual envolvimento de militares portugueses no tráfico de diamantes". A situação foi relatada "prontamente" ao EMGFA pelo comandante da FND, acrescenta o comunicado, tendo "sido de imediato denunciada à Polícia Judiciária Militar (PJM) para investigação".

Ao que a SIC apurou, havia mais de 10 mandados de detenção assinados pelo juiz Carlos Alexandre. Os suspeitos, sobretudo militares portugueses, estavam a ser investigados desde o ano passado.

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