Operação Miríade

Operação Miríade: seis dos 11 arguidos não quiseram responder ao juiz

Operação Miríade: seis dos 11 arguidos não quiseram responder ao juiz
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Os interrogatórios aos detidos terminaram, mas o processo será retomado na quarta-feira.

Os interrogatórios aos 11 detidos na operação Miríade terminaram na noite desta terça-feira, devendo ser retomados no dia seguinte. Cinco dos arguidos foram ouvidos pelo Juiz Carlos Alexandre, no Juízo de Instrução Criminal de Lisboa; seis não quiseram responder às perguntas. A diligência durou mais de seis horas.

Os cinco arguidos a prestar declarações foram Fernando Delfino, (civil), Luís Chantre (ex-comando), Emanuel Marques (civil), Michael Oliveira (agente da PSP) e Artur Amorim (advogado). Entre os detidos que não quiseram falar está o alegado líder do grupo, como explica o jornalista Diogo Torres. Paulo Nazaré terá traficado diamantes e ouro durante vários anos, tendo também participado num esquema de branqueamento de capitais através do uso de criptomoedas.

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Apesar de terem terminado os interrogatórios, o processo vai ser retomado na quarta-feira. Depois de terem sido ouvidos os detidos, chega a vez do Ministério Público (MP) promover as medidas de coação a aplicar a cada um dos arguidos. Numa terceira parte, os advogados de defesa vão tentar derrubar as teses do MP.

Só no final é que o juiz Carlos Alexandre deverá ponderar as medidas de coação a aplicar aos 11 detidos. Estas poderão ser conhecidas quarta ou quinta-feira.

► A denúncia do tradutor e a investigação ao esquema

Ao que a SIC apurou, os crimes que estão a ser investigados ocorreram entre março e setembro de 2019. Durante esses seis meses, a missão operou a partir da capital Banghi e a maioria dos 11 detidos integrava o contingente de comandos.

Foram rendidos pela sexta força nacional destacada de Paraquedistas, cujo comandante era Vítor Gomes. Foi precisamente Vítor Gomes quem terá recebido a denúncia por parte de Samuel Ben Wada, um tradutor da missão da ONU. O caso terá sido revelado depois do tradutor não ter recebido um pagamento que tinha sido prometido, em troca da colaboração no negócio de diamantes.

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Além disso, também um major denunciou o tráfico, depois de ter recebido uma encomenda, supostamente com peças de artesanato para serem enviadas para Portugal em voos militares. Lá dentro estavam oito diamantes: três em bruto – cujo valor rondava os 80 mil euros – e cinco lapidados – com avaliação em pouco mais de seis mil euros.

O material chegava ao aeroporto de Figo Maduro em aviões que transportavam os contingentes de regresso a Portugal, sem qualquer controlo das bagagens pessoais. Seria depois transportado para Antuérpia, na Bélgica, a capital mundial dos diamantes, onde eram vendidos a preços milionários.

O caso chegou ao Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas em dezembro. Poucos dias depois chegava também ao ministro da Defesa, ao Ministério Público e à Polícia Judiciária.

Segundo o despacho de indiciação – a que a SIC teve acesso – o soldado Paulo Nazaré era a figura central desta rede e, alegadamente, operava no interior das forças armadas. Ao início apenas dois militares estavam sob suspeita, mas, aprofundada a investigação, as autoridades perceberam que a rede tinha ramificações: incluía 40 empresas e 66 pessoas – entre as quais dois advogados.

Os 11 detidos são suspeitos de comprar diamantes, ouro e droga no mercado negro. Estão ainda indiciados por associação criminosa e branqueamento de capitais – inclusive através da compra de bitcoins.

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