Orçamento do Estado

"Já estivemos mais longe de uma crise política a sério"

Opinião

José Gomes Ferreira comentou o Orçamento do Estado para 2022.

José Gomes Ferreira comentou o Orçamento do Estado para 2022, revelando as várias falhas que considera que o documento tem, considerando que "já estivemos mais longe de uma crise política a sério" em Portugal.

Contudo, o comentador da SIC refere que não lhe parece que tal crise "esteja aí ao virar da esquina".

A posição dos partidos à Esquerda foi um dos tópicos falados.

"O Bloco de Esquerda parece-me que é o mais reticente, porque desde sempre quis ligar as negociações do Orçamento à revisão das leis laborais, e dificilmente deixaria de exigir, que é uma questão inultrapassável por parte do Governo, que não quer ligar as duas coisas de todo. Portanto, seguramente que não votará a favor."

"Já o PCP encheu o peito de ar e veio fazer uma declaração que me parece mais ser uma estratégia negocial, mas, na verdade, diz que estão 'disponíveis para negociar até ao fim'. Às vezes, nestas estratégias negociais, criam-se divergências insanáveis e, portanto, pode existir uma crise séria, não a excluo."

José Gomes Ferreira lembrou uma questão "insanável", a de que, "em 2023, voltam as regras do tratado orçamental e do Tratado de Maastricht", o que, na sua opinião, leva a que seja importante "reduzir o défice nominal e o défice estrutural".

"Estamos perante um Orçamento que, para a Esquerda, não distribui as benesses todas, mas que, para a Direita, é absolutamente incomportável porque não atende às empresas."

Para o comentador, "o somatório é uma desgraça de despesa pública", referindo que se "quase metade da população [é] abrangida por algum benefício".

"São mais de 6 mil e 500 milhões de euros de défice este ano. Em três anos, são mais 32 mil milhões de euros de dívida."

Por fim, critica a alegada falta de preocupação do Governo com as empresas.

"Olhamos para o lado das empresas e vemos que elas não têm a mesma compensação em benesses, mas, de longe, no que diz respeito às famílias. Pelo contrário, não mexe uma linha no IRC, não mexe nas taxas."

O comentador considera que "isto é desproteger, sobretudo, as micro, pequenas e médias empresas".

"Esta estratégia, infelizmente, não é a que o país precisa neste momento, era outra."

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