Orçamento do Estado

Vem aí austeridade? Economista explica as consequências do aumento da inflação 

Vem aí austeridade? Economista explica as consequências do aumento da inflação 

Que consequências terá o aumento da inflação para o bolso dos portugueses e quem beneficia com esta subida?

O Governo prevê que a taxa da inflação aumente para 4% este ano, uma revisão em alta face aos 3,3% previstos no Programa de Estabilidade, segundo a proposta do Orçamento do Estado para 2022 entregue esta quarta-feira.

Questionado sobre a possibilidade de Portugal caminhar a passos largos para um período de austeridade, o economista João Duque explica que “chamem-lhe o que quiserem”, o aumento da inflação significa menos rendimento real.

“Quando a inflação é 4% e sou aumentado menos que isso, isso significa menos rendimento real. Ou consome menos ou poupa menos. Quem já não conseguia poupar, terá mesmo que deixar de consumir”, alerta.

Começa por dar o exemplo dos pensionistas, que vão ter um aumento fixo de 10 euros em pensões até 1.108 euros por mês. Nas pensões mais altas, o aumento representa 1%, o que significa que “não cobre a inflação” de 4%.

“Quanto mais baixa for a pensão, maior é a percentagem do aumento, porque o aumento é igual para todos. É preciso que um pensionista receba apenas 250 euros por mês para que os 10 euros correspondam aos 4% que vão ser comidos pela inflação”, afirma.

Como se mede a inflação?

João Duque explica que a inflação se mede através de um “cabaz de coisas que está fixado”, observando-se o custo desse capaz ao longo do tempo.

“O que acontece é que se este cabaz de hoje ficar sem aumentar os preços até ao fim do ano de 2022, em média o ano já ia subir 4,2%, então acho que a previsão da inflação é generosa. Se fosse eu a prever seria mais conservador”, diz, referindo-se à previsão do Governo de 4%.

Quem beneficia com o aumento da inflação?

O economista afirma que o aumento dos preços pela inflação faz aumentar a carga fiscal.

“Se as pessoas continuassem a comprar exatamente as mesmas coisas e estas aumentarem de preço, o IVA que estamos a pagar vai aumentar a receita fiscal”, explica.

“O Orçamento do Estado beneficia por haver um aumento de inflação. O aumento dos preços faz aumentar mais a carga fiscal. Isto permite que o próprio défice venha a ser beneficiado. De alguma forma, vamos pagar mais impostos, mas o grande benefício que vejo é amortizarmos mais dívida”.

João Duque explica ainda que este OE 2022 mantém as despesas que o orçamento chumbado apresentava. Assim, “o Governo vai tributar mais, arrecadar mais receita, mantendo a despesa”, conclui.

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