Orçamento do Estado

Do “feminismo bacoco” ao “pacóvio machista”: o aceso debate entre PAN e Chega

O debate no Parlamento aqueceu esta manhã entre a deputada do PAN e a bancada do Chega.

Do “feminismo bacoco” ao “pacóvio machista”: o aceso debate entre PAN e Chega

O debate do orçamento na especialidade subiu de tom esta manhã por causa da proposta do PAN sobre a criação de uma licença menstrual. O Chega diz que a medida representa o “feminismo bacoco do PAN”, na resposta Inês Sousa Real afirma que “pacóvio é ser machista”.

Seguindo o exemplo da vizinha Espanha, o PAN pretendia que a licença menstrual pudesse “ir até três dias de ausência ao trabalho por mês”, sem determinar “perda de quaisquer direitos, salvo quanto à retribuição, desde que a trabalhadora beneficie de um regime de segurança social de proteção na doença”.

“Precisamos que a Assembleia da República dê passos que reponham o mínimo de justiça pelo menos no que diz respeito à saúde feminina”, afirmou Inês Sousa Real.

O Chega, que votou esta segunda-feira contra a proposta na Comissão de Orçamento e Finanças, considerou, pela voz da deputada Rita Matias, que “estamos a adicionar mais um fator de discriminação pela circunstância de [as mulheres] mestruarem. Com este tipo de medidas vamos apenas aumentar o fosso salarial entre as mulheres. E sabe uma coisa? Não precisamos do seu feminismo bacoco que penaliza as mulheres. (…) Vergonha”.

Em resposta, a deputada única do PAN disse que “pacóvio é mesmo ser-se machista, é mesmo não entender que a sociedade, a humanidade felizmente é feita de diversidade. Com orgulho sou feminista, sim“.

Em ação entrou depois André Ventura considerando que “chamar uma deputada de pacóvia não é certamente a boa linguagem que a senhora deputada tanto advoga”. Inês Sousa Real disse lamentar que a “carapuça” tenha servido, salientando que se limitou “a esclarecer de que lado é que as nossas posições estão”.

“Posso ser só uma e não ter um grupo parlamentar” mas, concluiu a deputada do PAN, “não defendo a velha máxima do Deus, Pátria e Família do Estado Novo e dos tempos da outra senhora”.

Os deputados começaram na segunda-feira a votar, na especialidade, a proposta do OE 2022 e as cerca de 1.500 propostas de alteração apresentadas pelos vários partidos. As votações terminam na sexta-feira, dia da votação final global.

A proposta de OE 2022 foi aprovada na generalidade, em 29 de abril, na Assembleia da República, apenas com os votos a favor do PS e abstenções dos deputados únicos do PAN e do Livre.

Orçamento do Estado 2022