Pandora Papers

Rei da Jordânia diz que informações do Pandora Papers foram "distorcidas e exageradas"

Rei Abdullah II da Jordânia.

Yousef Allan

Casa real jordana admite que "não é segredo" que o rei Abdullah II tem diferentes propriedades pelo mundo.

A casa real da Jordânia admitiu hoje que "não é segredo" que o rei Abdullah II - um dos envolvidos na investigação jornalística intitulada Pandora Papers- tem diferentes propriedades, sublinhando ainda que as informações divulgadas foram distorcidas e exageradas.

"Algumas das informações foram usadas indevidamente, distorcendo a verdade, assim como exagerando e interpretando erroneamente" os factos, disse o palácio num longo comunicado, acrescentando que " não divulgar os imóveis privados do rei ocorre por razões de privacidade" e também por razões de segurança".

A investigação, conduzida pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICJI, sigla em inglês), descobriu como o monarca jordano passou as últimas décadas a construir um império imobiliário de luxo no valor de mais de 100 milhões de dólares (86 milhões de euros) com propriedades nos Estados Unidos e no Reino Unido.

O comunicado do palácio real foi divulgado um dia depois de o ICJI ter divulgado que centenas de líderes mundiais, políticos poderosos, bilionários, celebridades, líderes religiosos e traficantes de drogas têm escondido os seus investimentos em mansões, propriedades exclusivas à beira-mar, iates e outros ativos no último quarto de século.

De reis a artistas, os nomes dos Pandora Papers

O relatório é baseado na investigação de quase 12 milhões de arquivos obtidos de 14 empresas localizadas ao redor do mundo, segundo o ICJI.

O relatório está a ser chamado de "Pandora Papers" porque as descobertas lançam luz sobre os negócios anteriormente ocultos da elite e dos corruptos, além de demonstrar como estes usaram contas 'offshore' para proteger ativos no valor coletivo de bilhões de dólares.

Vários outros líderes, incluindo o primeiro-ministro checo e os Presidentes do Quénia e do Equador, foram incluídos nesta investigação e acusados de ocultar ativos em empresas 'offshore', inclusive para fins de evasão fiscal.