O Irão vive momentos de tensão desde 28 de dezembro, dia em que eclodiram por todo o país protestos contra o custo de vida. Quase duas semanas passaram e os tumultos parecem não ter fim. Prova disso é que já morreram dezenas de manifestantes, de acordo com a ONG Iran Human Rights.
O que motivou os protestos?
O movimento que deu início a esta onda de contestação nasceu em Teerão, mas rapidamente se espalhou a toda a nação.
A crescente inflação e o descontentamento em relação ao poder político, são a gasolina para esta luta popular.
A CNN internacional nota que, na passada semana, os preços de produtos essenciais, como frango ou óleo alimentar, subiram a pique, o que levou a que em determinados supermercados alguns bens simplesmente desaparecessem das prateleiras.
Em simultâneo, o Banco Central da nação do Golfo Pérsico decidiu acabar com o programa que permitia que alguns empresários dedicados à importação tivessem acesso a dólares americanos mais baratos comparativamente ao restante mercado.
Esta decisão fez com que muitos comerciantes, conhecidos como ‘bazaaris’ – grupo pertencente à classe mercantil do Irão -, aumentassem os preços ou fechassem portas.
Onde têm lugar os protestos?
Nesta altura, são já mais de 100 as cidades, de 31 províncias, que servem de palco ao movimento reivindicativo.
Os protestos já se disseminaram por toda a nação, tendo chegado, inclusive, às províncias de maioria curda de Ilam e Lorestan, na fronteira com o Iraque.
Quem lidera o Irão?
Desde 1979, ano da Revolução Iraniana que acabou com o regime do Xá Mohammad Reza Pahlavi, que os destinos do Irão estão entregues ao Aiatola, Líder Supremo do Irão.
O primeiro foi o Aiatola Khamenei e, depois, seguiu-se o Aiatola Ali Khamenei, que desde 1989 até hoje segue no poder, sempre com a religião como pendor em todas as decisões.
Em 2024, Masoud Pezeshkian foi eleito Presidente em 2024, mas o seu poder está limitado por Ali Khamenei, que é quem tomas as decisões nevrálgicas da nação.
É neste contexto que Reza Pahlavi, filho do último Xá, se posiciona como alternativa ao poder. Nos muitos protestos que têm abalado o Irão, o apoio a Reza Pahlavi tem-se multiplicado.
Trump já se posicionou?
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, avisou Teerão de que haverá “consequências severas” caso manifestantes sejam mortos durante os protestos.
“Já lhes deixei claro que, se começarem a matar pessoas - como tendem a fazer durante os seus motins - vamos responder de forma muito dura”, afirmou Trump, em declarações a uma rádio norte-americana, na quinta-feira, e citado pela CNN internacional.
Há apenas seis meses, Israel e os Estados Unidos lançaram ataques contra o Irão pela primeira vez, num contexto de escalada das tensões. Trump voltou a admitir a possibilidade de novos ataques na semana passada, poucos dias depois de se ter reunido com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu.
Em resposta, o Líder Supremo iraniano pediu a Trump que “se concentre nos problemas do seu próprio país”. Numa intervenção televisiva, as suas primeiras declarações públicas desde o início das manifestações, Khamenei acusou elementos internos de estarem a agir para agradar a Washington.
“Há agitadores que querem satisfazer o Presidente americano destruindo bens públicos. Um povo iraniano unido derrotará todos os inimigos”, afirmou.
O líder supremo garantiu ainda que “a República Islâmica não recuará perante aqueles que procuram destruir-nos”.
Quantas pessoas já morreram?
Pelo menos 51 manifestantes, incluindo nove menores, morreram desde o início dos protestos no Irão, a 28 de dezembro, segundo um novo balanço divulgado pela organização não-governamental Iran Human Rights.
De acordo com esta ONG, com sede na Noruega, centenas de pessoas ficaram feridas nos primeiros 13 dias de manifestações em todo o país.

