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Comissão Europeia aprovou o consumo de larvas da farinha na UE?

Reuters Staff

As larvas da farinha são ricas em proteína e podem ser utilizadas em snacks, como biscoitos, massas ou barras proteicas.

Várias publicações nas redes sociais avançam que a União Europeia aprovou o consumo de um novo alimento, neste caso larvas da farinha, também conhecidas como larvas de tenebrião-pequeno, uma espécie de besouro.

Será verdade?

A necessidade de se introduzir novos alimentos, como insetos, na alimentação dos europeus prende-se com o facto de estes poderem ser uma solução para diminuir a produção de proteína animal, responsável por uma grande percentagem de emissões de gases de efeito de estufa para a atmosfera. As larvas da farinha são ricas em proteína, gorduras, zinco, ferro, cálcio, vitamina C e B, podendo substituir o consumo de outras proteínas de origem animal, como a carne.

Já há alguns anos que se discute a introdução de novos alimentos no mercado europeu, nomeadamente de insetos, sementes, leveduras tratadas com radiação ultravioleta ou gorduras à base de plantas. Em 2015 o Parlamento Europeu e o Conselho Europeu aprovaram regulamentação nesse sentido. Agora a introdução dos novos alimentos no mercado está dependente de uma avaliação da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (AESA).

A 13 de janeiro deste ano, a AESA publicou o seu parecer sobre a introdução de larvas da farinha secas no mercado europeu. A entidade esclarece, no documento, que “o novo alimento que está a ser submetido a avaliação são larvas da farinha amarela secas (larvas de besouro) inteiras ou em pó. Podem ser utilizadas em snacks, como biscoitos, massas ou barras proteicas”. O parecer acrescenta que “o modo de produção deste novo alimento não levanta questões de segurança alimentar”. Apesar de a avaliação ser favorável, a AESA alerta que estas larvas têm quitina, um polissacarídeo que pode provocar alergias.

Após o parecer positivo da AESA, tal como prevê o Regulamento sobre novos alimentos, a Comissão Europeia aprovou a 3 de maio a introdução do primeiro inseto para consumo humano na União Europeia (UE). No site da Comissão pode ler-se que “o Comité Permanente dos Vegetais, Animais e Alimentos para Consumo Humano e Animal, composto por representantes de todos os Estados-membros e presidido por representantes da Comissão Europeia, deu uma opinião favorável ao projeto-lei que autoriza a colocação no mercado de larvas da farinha amarela secas como um novo alimento”. A regulamentação que aprova este novo alimento será adotada e publicada pela Comissão Europeia nas próximas semanas.

De acordo com o Parlamento Europeu, um dos maiores desafios à introdução deste alimento tem que ver com a visão cultural dos europeus sobre larvas de insetos. Para a maioria, comer larvas é visto com estranheza e repulsa. No entanto, a instituição europeia afirma que “os insetos tratados em ambientes controlados agrícolas são alimentados à base de plantas, pelo que são objetivamente mais higiénicos do que insetos selvagens, o que irá permitir que as pessoas ultrapassem a neofobia (medo de comer alimentos novos)”.

É por isso verdade que a União Europeia aprovou a introdução de larvas da farinha inteiras ou em pó no mercado europeu.

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