Rumo à Lua

Missão histórica: NASA e ESA preparam partida de foguetão até à Lua para fevereiro

Artemis II levará quatro astronautas numa viagem espacial de cerca de 10 dias em torno da Lua, a primeira missão tripulada ao satélite natural da Terra em mais de 50 anos, desde o fim do programa Apollo em 1972.

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A NASA e a Agência Espacial Europeia (ESA) preparam a missão Artemis II, que tem lançamento previsto para a próxima janela disponível, 6 de fevereiro, e será a primeira missão tripulada em torno do satélite natural da Terra em mais de 50 anos, desde o fim do programa Apollo, em 1972.

O foguetão SLS e a nave Orion chegaram à plataforma de lançamento do Centro Espacial Kennedy a 17 de janeiro. Nos próximos dias, engenheiros e técnicos vão preparar o ensaio geral da missão, marcado para 2 de fevereiro. Este teste inclui as operações de abastecimento do foguetão, os procedimentos completos de contagem decrescente e simulações de todas as fases anteriores ao lançamento, etapas consideradas essenciais antes do primeiro voo tripulado do programa Artemis.

A NASA sublinha que só depois da conclusão deste ensaio será tomada uma decisão final sobre a data de lançamento. A agência garante que o calendário está a ser cumprido e que as equipas estão preparadas, mas reforça que a segurança continua a ser a prioridade.

A missão Artemis II vai levar quatro astronautas numa viagem de cerca de 10 dias em torno da Lua e de regresso à Terra. Três são da NASA, Reid Wiseman, Victor Glover e Christina Koch, e o quarto é Jeremy Hansen, da Agência Espacial Canadiana. Apesar de não prever uma aterragem lunar, a missão vai testar sistemas críticos para futuras explorações no espaço profundo.

A Agência Espacial Europeia participa com o módulo de serviço (European Service Module) da nave Orion, construído na Europa. Este módulo é responsável pela energia e pela propulsão da nave e fornece ainda água e ar à tripulação, sendo um elemento central para a sobrevivência dos astronautas durante a missão.

Ciência a bordo

Para além dos testes técnicos, a Artemis II terá uma forte componente científica. A bordo, os astronautas vão realizar experiências de investigação humana, incluindo estudos sobre desempenho físico, saúde comportamental, resposta imunitária e adaptação do corpo humano à microgravidade. Está também prevista a utilização de uma nova tecnologia experimental, chamada Avatar, que recorre a órgãos e células em chips para simular a forma como o corpo humano reage à microgravidade e à radiação no espaço.

A missão representa mais um passo no regresso de astronautas à superfície lunar e na ambição de estabelecer uma presença humana sustentada na Lua. Ao mesmo tempo, servirá de preparação para futuras missões tripuladas a Marte. Se todos os testes decorrerem como previsto, a próxima janela de lançamento abre a 6 de fevereiro.

Programa Artemis de regresso à Lua

O programa para o regresso à Lua, Artemis, é constituído por várias missões. Depois de alguns adiamentos, a primeira missão Artemis I foi lançada a 16 de novembro de 2022. Não levou astronautas a bordo, visou testar o novo foguetão gigante da NASA, SLS (Space Launch System), e a cápsula Orion colocada no topo e onde viajarão as tripulações a partir da missão Artemis II.

A Orion, uma vez impulsionada pelo foguetão, irá até à Lua e entrará na sua órbita, para depois regressar à Terra, numa missão que pode durar de 25 a 42 dias. Deverá ser recuperada no Oceano Pacífico e depois reutilizada.

A missão Artemis II, que deveria primeiro colocar uma nave espacial tripulada em órbita da Lua, estava prevista para 2024, foi adiada para 2025 e depois para fevereiro de 2026.

Artemis III será a missão que levará o primeiro humano à Lua desde a Apollo 17 em 1972.

A ESA participa na missão com o módulo de serviço construído na Europa - European Service Module - que fornece energia e propulsão para a nave espacial Orion e também fornecerá água e ar para os astronautas. Participa também no projeto Gateway, um posto na órbita da Lua que vai fornecer um apoio vital no regresso de seres humanos à Lua. Será também um importante ponto de partida para a exploração do espaço profundo e de uma futura ida a Marte.

Os Acordos Artemis

Em outubro de 2020, durante o primeiro mandato presidencial de Donald Trump, os Estados Unidos, representados pela NASA e pelo Departamento de Estado, uniram-se a outras sete nações (Austrália, Canadá, Japão, Reino Unido, Itália, Luxemburgo e Emirados Árabes Unidos) para estabelecer os Acordos Artemis, "em resposta ao crescente interesse pelas atividades lunares por parte de governos e empresas privadas".

A 13 de janeiro de 2026, Portugal tornou-se o 60.º país a comprometer-se com a exploração responsável da Lua, Marte, cometas e asteroides ao assinar os acordos.

"Os países signatários comprometem-se a "explorar de forma pacífica e transparente, prestar auxílio, garantir o acesso ilimitado a dados científicos dos quais a humanidade possa aprender, assegurar que as atividades não interferem nas de outros, preservar sítios e artefactos de importância histórica e desenvolver as melhores práticas para a condução de atividades de exploração espacial em benefício de todos".