Saúde Mental

"Portugal tem sido reativo e não preventivo relativamente à saúde mental"

Entrevista SIC Notícias

O psicólogo Mauro Paulino analisa o caso da família que viva numa casa com lixo e excrementos de animais.

As autoridades retiraram de casa uma família que vivia em condições sanitárias deploráveis, numa vivenda na Quinta do Conde, no concelho de Sesimbra. Mãe, filha e neto, de 4 anos, dividiam o espaço com uma mistura de lixo, excrementos e animais, alguns já mortos.

Mauro Paulino, psicólogo e comentador da SIC Notícias, considera que se chega “a este ponto porque não se fez o que se devia ter feito quando há conhecimento da primeira queixa”. O psicólogo sublinha que a lei de proteção de crianças e jovens permite e retirada de crianças e jovens, quando estes estão em situações de perigo.

“A lei prevê que rapidamente as autoridades, em articulação com outras entidades de matéria de infância e juventude, pudessem proteger esta criança de quatro anos. Mesmo que estas mulheres não quisessem sair de casa, não quisessem dar consentimento para qualquer intervenção, perante uma situação de perigo iminente e atual era possível proteger esta criança”, esclarece.

O psicólogo destaca a influência que a vivência numa casa sem condições pode trazer para a criança, não apenas a nível sanitário, mas também no futuro.

“Isto encaixa dentro daquilo que é chamado uma experiência adversa na infância. As experiências adversas na infância comprometem não apenas a infância da criança, mas também a sua idade adulta. Aquilo que acontece na infância não fica na infância, vai continuar a manifestar-se ao longo da sua vida”, prossegue o comentador.

Mauro Paulino sublinha que também a vivência com um elemento do agregado familiar “que tenha patologia mental é mais uma experiência adversa ao desenvolvimento da criança, sobretudo quando essa doença mental não está devidamente compensada, como sugerem as imagens”.

Para o psicólogo, Portugal “tem sido reativo e não preventivo” no que toca à saúde mental. “Não há um investimento ao nível da saúde mental – e quando falamos de saúde mental, falamos também de saúde psicológica”, alerta Mauro Paulino.