Saúde Mental

Alzheimer: a forma mais comum de demência para a qual não há cura

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Assinala-se esta terça-feira o Dia Mundial da Pessoa com Doença de Alzheimer.

Descrita pela primeira vez no início do século XX pelo médico alemão Alois Alzheimer, a conhecida doença que provoca perda de memória e afeta capacidades cognitivas ainda permanece sem cura.

De acordo com o Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30 milhões de pessoas sofrem deste tipo de demência. Os dados sobre a prevalência da doença em Portugal são escassos, mas a Alzheimer Europe de 2019 estima que mais de 193.500 portugueses têm Alzheimer.

Tendo em conta que a idade é o principal fator de risco, Portugal perfila-se à frente de vários países europeus no que diz respeito à prevalência da doença. Quanto mais velha for a população de um país, maior será o desafio para a saúde pública.

Em todo o mundo, a doença representa entre 60 a 70% de todos os casos de demência e distingue-se por atuar de forma dupla. Um dos fenómenos registados recorrentemente é a formação de placas de proteínas, as chamadas amilóide, que comprimem e destroem os neurónios a longo prazo.

A par dessa ocorrência, as proteínas Tau, presentes nos neurónios, formam aglomerados que também causam a morte das células. Ainda não é clara a relação entre os dois fenómenos, nem o que causa o seu aparecimento.

A destruição das células cerebrais impossibilita a comunicação dentro do cérebro, o que leva não só à perda de memória como também aos desaparecimento de certas funções ou capacidades. Quando uma pessoa perde uma capacidade, raramente consegue voltar a recuperá-la, alerta a Associação Alzheimer Portugal. Os doentes vão perdendo a sua independência ao longo dos anos, o que significa uma grande carga emocional - e muitas vezes financeira - para o agregado familiar e entes queridos.

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Apesar de décadas de investigação, ainda não há tratamento para curar a doença ou até prevenir o aparecimento. Manter o cérebro ativo, praticar exercício físico e proteger a cabeça de lesões são atividades que podem ter um papel importante na prevenção e progressão da doença, informa o portal do Serviço Nacional de Saúde.

Alzheimer: os anos que se seguem são de esperança

A Ciência ainda está longe de descobrir a cura para a Alzheimer, mas os próximos anos deverão ser de progressos consideráveis, visando o "diagnóstico mais precoce possível", disse o neurologista Bruno Dubois à AFP.

O especialista considera que a Medicina caminha no sentido de disponibilizar fármacos que serão tanto mais eficazes quanto mais cedo forem administrados. Os medicamentos vão atuar sobre as lesões, mas não sobre os sintomas em pacientes avançados.

Questionado sobre como se pode identificar a doença mesmo antes de existirem manifestações como a perda de memória, Bruno Duboi explicou que é possível fazer um diagnóstico precoce através dos biomarcadores - "a assinatura biológica das lesões da doença". Nos últimos anos, eram necessários exames complexos para os identificar, mas atualmente já se começam a "ver resultados que não são desinteressantes em amostras de sangue, mesmo que ainda não sejam confiáveis".

No entanto, o estudo dos biomarcadores não é alargado a indivíduos saudáveis, sem qualquer sinal da doença. E mesmo os que apresentam algumas lesões, podem nunca vir a ter a doença, adverte o médico, que considera que seria "dramático" expor pessoas a fármacos "perigosos" e à angústia de um diagnóstico que pode não se concretizar.

A avaliação biológica acontece em conjunto com a avaliação clínica. "Se me trouxer alguém velho, digamos com 75 anos, que tem dificuldade a orientar-se no tempo ou numa nova rua, que não se consegue lembrar dos acontecimentos recentes, aí, eu vou fazer a avaliação biológica que me confirmará que a minha hipótese estava, de facto, correta", esclareceu.

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