Operação Marquês

"Vou a julgamento por crimes que nunca cometi", garante Sócrates

A primeira declaração de José Sócrates após a leitura da instrução da Operação Marquês.

A Operação Marquês vai levar cinco arguidos a julgamento. José Sócrates foi ilibado dos três crimes de corrupção passiva de que estava acusado. No entanto, o antigo primeiro-ministro e Carlos Santos Silva vão a julgamento por branqueamento de capitais e falsificação de documento. Ricardo Salgado, Armando Vara e João Perna também vão a julgamento.

À saída do Campus de Justiça, em Lisboa, Sócrates quis fazer uma declaração aos jornalistas que estavam no local.

"O que digo é verdade, vou defender-me"

"Todas as grandes mentiras da acusação hoje caíram", começou por dizer. Sócrates fez questão de sublinhar que a acusação da fortuna escondida, a acusação da corrupção e a acusação da ligação com Ricardo Salgado, "é tudo mentira". "Todos puderam ouvir as palavras do juiz quando fala de especulação, suposições em cima se suposições e tudo isso acabou", disse o ex-primeiro-ministro.

Em relação ao julgamento por branqueamento de capitais e falsificação de documento, José Sócrates disse que se tratam de crimes que nunca cometeu. "Vou defender-me desses crimes", garantiu.

"Tudo isto é uma gravíssima injustiça. A acusação tem uma motivação política, sempre teve. E essa motivação política está bem clara numa decisão do juiz que os senhores se encarregam de branquear. No momento em que o processo Marquês chegou ao Tribunal de Instrução Criminal, a sua distribuição foi manipulada e viciada para que o juiz Carlos Alexandre ficasse com o processo", afirmou aos jornalistas.

Ainda sobre o sorteio do processo, o antigo governante acusou o Ministério Público de nada ter feito e reiterou que já não tem qualquer confiança no órgão do sistema judicial nacional. "O Ministério Público foi sempre conivente com essa distribuição".

"O Ministério Público e o juiz Carlos Alexandre agiram de forma a investigarem-me, a acusarem-me e a prenderem-me. A única conclusão que posso tirar daqui é que, durante sete anos, difamaram um inocente. Os crimes com base nos quais me prenderam, não existiram", disse em declarações à comunicação social.

José Sócrates revelou que vai a julgamento por falsificação de documentos que nunca conheceu e nunca assinou. "Não compreendo isso e não me conformo", disse.

O antigo primeiro-ministro acusou ainda os jornalistas de "não fazerem o seu trabalho" ao dar "publicidade" às alegações de que foi alvo. "Nunca nenhum jornalista teve a atitude decente de perguntar ao Ministério Público: 'Se estão a fazer a acusação, por favor mostrem as provas'".

De seguida, voltou a tecer duras críticas ao Ministério Público e ao juiz Carlos Alexandre, que ficou com o processo inicialmente. "O juiz nunca esteve à altura da dignidade do cargo de juiz, porque não era imparcial, e no entanto contou sempre com a proteção do sistema judiciário português".

"Todas as grandes acusações que me fizeram sobre a Lena, Parque Escolar, sobre a Venezuela, sobre a PT e Vale do Lobo... Hoje, o juiz (Ivo Rosa) demonstrou em detalhe que tudo isso era falso", sustentou.

Questionado sobre se estaria em cima da mesa o regresso à vida política, José Sócrates optou por não responder.