TAP: o futuro e as polémicas

Entrevista SIC Notícias

Buscas na TAP: qual a base das suspeitas e o que pretende apurar a investigação?

"Trata-se de aferir se houve alguma participação económica no negócio da privatização e se foi feita escolhendo-se designadamente concorrentes que estavam em condições de suportar os custos, em que moldes, se não houve prejuízo para o erário público e até se o dito consórcio cumpria as regras basilares", explica a advogada Rita Garcia Pereira.

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O Ministério Público está a realizar buscas na TAP no âmbito de uma investigação relacionada com o processo de privatização da companhia aérea há 10 anos. As buscas estende-se a empresas de consultoria e escritórios de advogados. Em causa estão alegados crimes na fase de privatização da companhia.

Em entrevista na SIC Notícias, Rita Garcia Pereira refere "o hiato temporal gigantesco entre a denúncia e estas buscas, e obviamente o perigo de dissipação de todos os elementos probatório", mas reforça que "a denúncia é compreensível".

Questionada sobre os timings em que estas operações decorrem, tendo em curso um processo de reprivatização da TAP, a advogada sublinha: "Quero acreditar que esta operação em concreto foi efetuada com total independência da operação de privatização que está aqui em marcha, mas não deixa de se estranhar o timing, tendo em conta o que se está a avançar agora, que seja a possibilidade da mesma privatização. Portanto, na prática, é perigoso o timing, mas na minha perspetiva, é mais perigoso ainda o enorme hiato temporal entre a denúncia e a fase em que se fazem as buscas".

O diretor da Polícia Judiciária confirmou as buscas à TAP numa investigação liderada pelo Departamento central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

"Estamos a dar todo o apoio e suporte [à investigação] , por parte da Instituição, após solicitação do Ministério Público e do DCIAP, em particular", disse o diretor da PJ, Luís Neves.