Tribeca Festival

Meg Ryan faz a defesa das comédias românticas: "Fazem as pessoas sentirem-se bem e é isso que perdura"

A atriz norte-americana que se tornou reconhecida pelas comédias românticas considera que são um género nobre porque trazem conforto ao público. Meg Ryan explicou, no Tribeca Festival em Lisboa, que entende que o cinema deve ser uma “máquina de empatia”.

Meg Ryan faz a defesa das comédias românticas: "Fazem as pessoas sentirem-se bem e é isso que perdura"
Lionel Hahn/Getty Images

Ergue o título de “rainha das comédias românticas”, pelos muitos sucessos que protagonizou, nas décadas de 80 e 90. De When Harry Met Sally (Um Amor Inevitável) a Sleepless in Seattle (Sintonia de Amor), passando por You've Got Mail (Você Tem Uma Mensagem), Meg Ryan foi a estrela de todos eles. Ajudou a cimentar este género cinematográfico, muitas vezes desprezado pela crítica.

Décadas depois, a atriz norte-americana vem ao Tribeca Festival, em Lisboa, para defender a honra do género mal-amado pelos críticos, mas adorado pelo público. É a primeira vez de Meg Ryan em Portugal. Acaba de chegar ao país. “Mesmo a tempo da vossa tempestade”, brinca. O mau tempo, afirma, vem a calhar se ajudar ao reboliço no mar. É que a atriz, confessa, é fã da série documental sobre as grandes ondas da Nazaré e queria vê-las em pessoa. São mesmo a sério?”, pergunta, como quem não acredita, aos portugueses na sala. Uma sala repleta de fãs dos filmes que, em tempos, foram tidos como “pirosos”, mas, agora, são considerados autênticos clássicos.

“Quando fizemos esses filmes, não achávamos que estávamos numa “era dourada”. Eles nem sequer eram bem-recebidos pela crítica”, conta Meg Ryan.

Ainda assim, a atriz recusa-se a aceitar que as comédias românticas fossem a “ovelha negra” do cinema. “Não sinto isso. Tenho muito respeito pelo género.”

Meg Ryan refere como fez “mais de 40 filmes”, mas que são as “oito comédias românticas” que protagonizou de que as pessoas parecem lembrar-se. “São os que perduram no tempo”, nota.

E porque é que assim é? “Porque as comédias românticas são reconfortantes”, explica a atriz. “As pessoas dizem-me que veem os meus filmes quando estão doentes”, ri.

“As pessoas lembram-se de como as fazes sentir. E esses filmes fazem as pessoas sentirem-se bem”, sustenta Meg Ryan, para quem o cinema deve ser uma “máquina de empatia”.

“Nos tempos de hoje é importante confiar nos poetas em vez de nos políticos, fazer arte em vez de guerra”, defende. E, por que não, diz, usar géneros como a comédia romântica para o comentário social.

A arte da reinvenção e os avanços das mulheres no cinema

Ana Martingo/SIC Notícias

Com mais de quatro décadas de carreira, Meg Ryan veio também a este Tribeca Festival falar do modo como se tem reinventado ao longo deste tempo. E defender que a mudança não é dramática nem problemática, mas parte do processo de crescimento.

“A reinvenção é o que se faz quando se está vivo”, afirma. “É uma evolução natural. Ficaria aborrecida se não reinventasse alguma parte de mim mesma.”

A atriz conta como, durante perto de dez anos, decidiu afastar-se do mundo do cinema. Não se sentia inspirada. Até que se reinventou. Experimentou passar da frente da câmara para a retaguarda e estreou-se na realização. Voltou a sentir-se inspirada a fazer cinema – e, confessa, ganhou um novo respeito pelo ofício.

Desejava ter-me tornado realizadora mais cedo, acho que teria feito de mim uma atriz melhor”, afirma.

Mas, sublinha, “nunca é tarde demais para nos reinventarmos.

Não vejo limites em idade para a reinvenção. A vida muda e nós temos de continuar a navegar.”

Reinvenções que podem acontecer a nível individual, mas também a nível coletivo. Como a que Meg Ryan aponta ter acontecido na representação das mulheres no cinema.

Fizemos progressos na forma como as mulheres são representadas no cinema, há mais mulheres realizadoras e com responsabilidades no meio”, diz.

Antes, as mulheres em funções de poder estavam relegadas para a televisão - e foi aí que a televisão entrou na sua era dourada”, aponta Meg Ryan. Isso foi graças às mulheres. Agora há mais histórias sobre sororidade e mulheres a trabalhar em comunidade.”