Vacinar Portugal

Portugal só recebeu metade das vacinas da Johnson & Johnson previstas para junho

Virginia Mayo

Corte será de 150.000 vacinas em julho.

Portugal teve acesso em junho a cerca de metade das 300.000 vacinas da Johnson & Johnson que estavam previstas e em julho o corte será de 150.000 vacinas do mesmo laboratório, anunciou o coordenador do Plano de Vacinação contra a covid.19.

O vice-almirante Gouveia e Melo, que esta quarta-feira de manhã foi ouvido na Comissão Parlamentar da Saúde, explicou que em junho estava previsto o acesso a 300.000 vacinas da Johnson & Johnson e só chegaram 146.000 e que em julho estavam previstas 800.000 e serão menos 150.000.

"E isto são coisas que só sabemos a 15, 20 ou 30 dias, no máximo", afirmou.

Atrasos na vacina da AstraZeneca

Gouveia e Melo falou ainda dos atrasos na entrega da vacina da AstraZeneca, afirmando que depois do acórdão do Tribunal Europeu houve um "ligeiro aumento" nas entregas, mas "nada que compensasse contratos que estavam feitos".

"O que tem valido é a antecipação no contrato, através da intermediação Infarmed, em relação às vacinas da Pfizer previstas para o 4.º trimestre, que foram antecipadas para o 2.º, o que permitiu reforçar (...) e compensar o plano", afirmou.

Vacina da biofarmacêutica alemã CureVac

Ainda a propósito de alterações nas previsões das autoridades, o responsável apontou a vacina da biofarmacêutica alemã CureVac, que na semana passada se soube ter conseguido alcançar apenas 47% de eficácia.

"Era para estar disponível no 3.º trimestre e já não estará", afirmou Gouveia e Melo, acrescentando: "São estas más notícias que nos deixam preocupados".

O coordenador da 'task force' reiterou que são estas alterações nas entregas das vacinas, e não a falta de meios humanos, que têm vindo a condicionar o processo de vacinação contra a covid-19.

"Tenho previsões trimestrais, mas as previsões mais finas são mensais e, muitas vezes, duas semanas para a frente começo a ter algum nevoeiro sobre as vacinas", afirmou.

Meta de 8 de agosto para imunidade de grupo comprometida

O problema não é a falta de capacidade para administrar vacinas. Gouveia e Melo diz que está a fazer tudo para acelerar o processo e admite até alargar horários dos centros de vacinação para ter até 140 mil vacinas por dia dadas em Portugal.

Mas a falta de vacinas compromete a meta de 8 de agosto para ter os 70% da população com uma dose e atingir a chamada imunidade de grupo.

O vice-almirante revelou esta "preocupação", julgando "ser prudente dizer" que este objetivo poderá atrasar 15 dias, na audição que a Comissão de Saúde faz, regularmente, ao coordenador do Plano de Vacinação contra a covid-19 em Portugal e que está a decorrer, na manhã desta quarta-feira.

"Estou a fazer o que posso para otimizar o 'stock'", afirmou o responsável.

Na comissão, Gouveia e Melo disse ainda que há cerca de 47% da população vacinada com a primeira dose e 30% com a vacinação completa e adiantou que o ritmo de vacinação tem sido afetado por falta de vacinas suficientes.

"Não tem sido por falta de capacidade do sistema, mas pela disponibilidade de vacinas e pela regularidade na entrega", acrescentou.

O responsável adiantou que o ritmo de vacinação está acima das 100.000 vacinas por dia e, alargando os horários, será possível chegar às 140.000 por dia.

"Se tivermos vacinas para manter esse ritmo ele será mantido e, se possível, ultrapassado" afirmou Gouveia e Melo, acrescentando:

"Não está nas nossas mãos, nem nas da população, controlar as vacinas que recebemos", disse.