Em entrevista no Jornal da Noite, da SIC, o vice-almirante Henrique Gouveia e Melo fala sobre a vacinação contra a covid-19 dos jovens dos 12 aos 15 anos, da decisão da Direção-Geral da Saúde em fazê-lo, da resistência à vacina e de uma possível terceira dose. O coordenador do plano de vacinação fala ainda sobre os casos de vacinação indevida e do fim desta missão.
As dúvidas dos pais
O vice-almirante esclarece que não vai ser possível vacinar as crianças dos 12 aos 15 anos for a da área de residência.
"Não se consegue fazer um processo (de vacinação) que ande atrás das férias dos portugueses."
Gouveia e Melo espera, no entanto, que os pais tenham a oportunidade, antes ou depois dos fins de semana dedicados a este fim, de vacinar os filhos contra a covid-19, colocando a hipótese de novas oportunidades.
Sobre a possibilidade destes jovens aparecerem nos centros de vacinação sem o conhecimento dos pais, o coordenador da task force adianta que não será possível serem vacinados sem estarem acompanhados por um responsável.
Casa Aberta para jovens até à 1h com DJ
Os jovens de 16 e 17 anos começam no fim de semana a ser vacinados contra a covid-19. Em Loures e Odivelas, os centros de vacinação vão estar abertos até à 1:00 e terão DJs.
Questionado sobre esta ideia, o vice-almirante admite que a conhecia e que concordou. Explica que, às vezes, os agentes locais propõem ideias "fora da caixa" e defende que não se deve cercear as oportunidade para testar este tipo de ideias.
"Acho uma ideia interessante e será testada, vamos ver se dá resultado ou não."
Defende que todas as ideias são bens vindas, desde que "não sejam esdrúxulas", para conseguir vacinar uma grande percentagem da população.
Decisão da DGS após indecisões
Sobre a decisão da Direção-Geral da Saúde em recomendar a vacinação para jovens dos 12 aos 15 anos, garante que Graça Freitas não é "nada pressionável" e defende o tempo necessário para a tomada de decisão.
"Acho que a dra. Graça Freitas já tomou atitudes muito corajosas e não a acho nada pressionável (…) A DGS usou todo o tempo que tinha para decidir, as decisões antes do tempo não servem para nada"
Resistência à vacina
Na SIC, admite que pode haver um "clima infundado" de receio quanto à vacinação e defende que o processo de vacinação veio "reduzir imenso a mortalidade".
"Se olharmos para mortes em janeiro e as que temos agora, a diferença deve-se essencialmente à vacinação."
Reconhece que tomar a segunda dose da vacina reduz em 11 vezes a probabilidade de óbito e, por isso, foi encurtado o período para a essa toma.
Possível 3.ª dose da vacina contra a covid-19
Quanto à possível necessidade de uma terceira dose da vacina, garante que haverá vacinas suficientes.
No entanto, reconhece que, neste momento, "não estamos preparados" para a terceira dose. Isto porque o plano de vacinação foi concebido para duas doses ou, no caso da Johnson & Johnson, apenas uma.
Diz que a DGS é quem vai tomar a decisão, mas destaca que não há estudos científicos que provem esta necessidade. Ainda assim, garante que tudo estará preparado caso seja necessário.
"Se houver uma missão para dar 3ª dose, logo pensaremos que recursos são necessários"
Casos de vacinação indevida
De acordo com o vice-almirante, todos os processos foram reportados às autoridades competentes e, muitos deles, diretamente à Polícia Judiciária. Adianta que muitos já passaram à fase de inquérito e diz acreditar que a justiça será feita, "mesmo que venha um pouco atrasada".
"Por ética militar, gostamos de pessoas transparentes e que cumprem regras, qualquer alteração às prioridades era grave e irritava-me"
Afirma que não gosta que as regras sejam quebradas: "Não gostamos de pessoas que, na fila do pão, gostam de passar à frente das outras, achando que têm direito de serem servidos mais cedo."
Quando é que termina a missão do vice-almirante?
O vice-almirante Henrique Gouveia e Melo garante estar focado "até ao último dia" e que não faz pressão para terminar mais cedo ou mais tarde.
"Não faço pressão para terminar mais cedo ou mais tarde, o poder político decidirá na altura certa"
"Casa aberta" disponível para vacinação dos jovens com 16 e 17 anos no fim de semana
Os jovens com idades entre os 16 e 17 anos que não tenham realizado o autoagendamento para a vacinação contra a covid-19, que decorre no sábado e no domingo, vão poder recorrer à modalidade "Casa Aberta" nesses dias.
O esclarecimento foi feito pela task-force que coordena o processo de vacinação, em resposta à agência Lusa.
"Os utentes dos 16 e 17 anos, que não se auto agendaram, podem ainda ser vacinados no fim de semana de 14 e 15 de agosto recorrendo ao sistema de senhas digitais da modalidade casa aberta", refere a task-force.
Para sábado e domingo estão agendados cerca de 102 mil utentes entre os 17 e 16 anos, aproximadamente metade da população dessa faixa etária.
Segundo a 'task-force', durante esses dois dias todos os centros de vacinação estão na sua capacidade máxima instalada, mas além das marcações vai também estar disponível a modalidade "Casa Aberta".

