Violência em Moçambique

Moçambique: "Há denúncias consistentes de violações de direitos humanos por todas as partes"

Pedro Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional, em entrevista à SIC Notícias.

A Amnistia Internacional tem estado a acompanhar a escalada de violência em Cabo Delgado, Moçambique.

Pedro Neto, diretor executivo da Amnistia Internacional, explica que estes acontecimentos já vêm a acontecer há pelo menos três anos e mesmo antes desses três anos "já havia notícia de descobertas de valas comuns".

"Hoje os insurgentes têm armamento mais sofisticado. O que estamos a fazer neste momento é tentar perceber de onde vem o armamento, porque sabendo isso, teríamos muitas respostas."

O diretor executivo da Amnistia Internacional, em entrevista à SIC Notícias, diz que ataques como o que aconteceu em Palma já tinham acontecido noutras localidade.

"Antes havia tentativas de encobrimento sobre o que se estava a passar", diz Pedro Neto, acrescentando que houve jornalistas locais e mesmo um investigador da Amnistia Internacional que foram detidos por denunciar os ataques.

Para um relatório, que foi divulgado cerca de duas semanas antes do ataque a Palma, a Amnistia Internacional fez entrevistas e contra-entrevista para detetar contradições nas versões, validou o trabalho de investigação, confrontou com imagens de satélite e percebeu que "há denúncias consistentes de violações de direitos humanos por todas as partes, pelos insurgentes, pelas empresas militares privadas (...) e também pelos próprios militares do exército moçambicano".

Pedro Neto, com vista à estabilidade na região defende a "segurança do território", "ajuda humanitária urgente", a "responsabilização" pelos ataques e o "desenvolvimento público e o investimento em Cabo Delgado".

"No âmbito na União Europeia, no âmbito da CPLP e (...) também nas Nações Unidas" poderia ter havido "ação mais cedo, não só de Portugal, mas da comunidade internacional", defende Pedro Neto, lamentando que "só quando parece que são atacados alvos económicos e investimentos financeiros importantes é que a comunidade internacional deu atenção".

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