Três membros da insurgência armada em Cabo Delgado, norte de Moçambique, entregaram-se às autoridades, devido à fome e falta de condições para sobreviver, disseram à Lusa fonte locais.
Os três homens apresentaram-se no dia 2 de novembro na aldeia Quinto Congresso, uma povoação pertencente ao posto administrativo de Chai, no distrito de Macomia, em Cabo Delgado, no norte de Moçambique.
Depois de se renderem, foram apresentados perante as autoridades em Chai, onde deixaram três armas de fogo que usaram para atacar os militares e civis.
Quando questionados, alegaram abandonar o combate "por falta de condições", sem terem outros alimentos além dos que encontravam nas matas e sem logística de apoio.
Queixaram-se de "não conhecer o financiador e muito menos as reais motivações da guerra".
Distrito de Macomia
O distrito de Macomia tem sido um dos localizados na zona sul de Cabo Delgado por onde têm deambulado rebeldes armados, depois de forças militares terem destruído bases a norte, colocando-os em fuga.
A ofensiva das tropas governamentais ganhou vigor em julho, com o apoio do Ruanda, a que se juntou depois a Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), permitindo aumentar a segurança e recuperar várias zonas onde havia presença de rebeldes, nomeadamente a vila de Mocímboa da Praia, que estava ocupada desde agosto de 2020.
Mais de 3 mil mortes desde o início do conflito
A província de Cabo Delgado, rica em gás natural, é aterrorizada desde 2017 por rebeldes armados, sendo alguns ataques reclamados pelo grupo extremista Estado Islâmico.
O conflito já provocou mais de 3.100 mortes, segundo o projeto de registo de conflitos ACLED, e mais de 817 mil deslocados, de acordo com as autoridades moçambicanas.
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