Há quem venha com a lição bem estudada, com o cartaz na ponta de língua e a saber bem quem quer ver. Mas também há quem goste de vir à descoberta, não fosse também essa uma das marcas do festival: dar ao público a oportunidade de se esbarrar com bandas emergentes e sons alternativos.
Esta quarta-feira fica marcada com o arranque da 30.ª edição do Vodafone Paredes de Coura. De 1993, ano da estreia, até 2023 nem sempre foi fácil manter em pé o festival minhoto. Os “da casa” admitem que este ano falta “um nome grande” no cartaz, uma vez que é ano de celebração, mas esperam, mesmo assim, ser surpreendidos. A organização já admitiu no podcast “Couraíso”, da SIC Notícias, que falta “um holofote” que pudesse iluminar os nomes que por cá passam este ano.
Mas será assim o cartaz tão importante para os festivaleiros? Vítor vem da Maia e está pela primeira vez no Vodafone Paredes de Coura. Não conhece “99% dos artistas” e na lista de concertos que quer realmente ver só está a Lorde.
“Todos os outros espero que me surpreendam. Também vim por isso, para descobrir novos artistas”, diz.
Chegou ao recinto nas margens do rio Taboão na segunda-feira com os amigos. Estão a acampar e, para já, a experiência tem sido “cinco estrelas”. Já foi a outros festivais de verão e este ano foi a vez de experimentar o Paredes de Coura.
“Decidi vir este ano porque acho que é uma ‘vibe' diferente, mais calma”, afirma, acrescentando que ainda está a avaliar se regressa ou não em 2024.
Ao contrário de Vítor, encontrámos um grupo de amigos da Galiza, Espanha, que já coleciona edições do Vodafone Paredes de Coura. Pablo esteve nas edições em 2007, 2009, 2013, 2014, 2015, 2019 e agora em 2023. O Paredes de Coura é o seu festival favorito e há uma boa razão para isso.
“Em Espanha, não há um festival parecido. Os festivais grandes são em cidades e não em vilas. Este ambiente é muito distinto”, conta.
Ao mesmo tempo que jogavam cartas em cima de uma geleira, Pablo, Alexandre e Maria confessam que esta edição tem melhores condições na zona de campismo e que, em comparação a outros anos, estão menos pessoas no festival.
“Em 2019 ficámos ao sol, muito longe da casa de banho e havia muitas filas”, confessa Maria, congratulando a organização por ter melhorado as condições. Também Alexandre considera que o festival está mais cómodo este ano.
Quando fica calor nas tendas, por volta das 09:00 horas, levantam-se e procuram uma sombra à beira rio. Dali só saem para tomar banho e rumar aos concertos. Este ano, querem ver Jessie Ware, que sobe ao palco esta quarta-feira, Dry Cleaning, Lorde e Explosions in The Sky.
De Espanha vem também Samuel. Já tinha estado no festival em 2017 e este ano convenceu os amigos de Barcelona a virem viver a experiência de Coura pela primeira vez.
“Convenci os meus amigos a virem ao melhor festival, ao meu festival preferido”, refere.
As metas para os próximos dias já estão traçadas: “ver as bandas, conhecer pessoas, dar uns banhos no rio e descansar”.
Apesar de haver beleza na descoberta quando se fala de Paredes de Coura, há quem esperasse mais do cartaz. É o caso de Hugo Tavares, de Vale de Cambra.
“O cartaz este ano deixa um bocadinho a desejar tendo em conta que é a celebração dos 30 anos de Paredes de Coura”, aponta.
E continua:
“Têm nomes que são considerados bons na atualidade, mas falta um nome que seja maior e que consiga chamar um tipo de público mais extenso”.
Hugo veio ao festival pela primeira vez 2019 e ficou convencido pelo concerto dos New Order e os DJ sets “muito interessantes”. Voltou em 2022 e agora está presente este ano. Admite, no entanto, que ganhou o bilhete num passatempo.
“Se fosse para comprar o bilhete com o meu dinheiro, se calhar não tinha vindo”, remata.
No entanto, é com expectativa que olha para as próximas edições e, se o cartaz convencer, está pronto para regressar. Facto é que João Carvalho, fundador e diretor do Vodafone Paredes de Coura, numa entrevista à SIC Notícias, já levantou o véu sobre as confirmações para o próximo ano e prometeu um cartaz ainda melhor em 2024. Ficamos a aguardar.


