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Ensino online personalizado: "Imagino um mundo com acesso aos melhores professores"

Ensino online personalizado: "Imagino um mundo com acesso aos melhores professores"
Filipa Traqueia

Para Felix Ohswald, o que faz um bom professor é o seu entusiasmo e amor pela matéria. Depois de uma pandemia que obrigou docentes e alunos a ter aulas através de computadores, o CEO da GoStudent - uma empresa de explicações personalizadas online - apresenta as vantagens do sistema misto entre o presencial e o digital, associado a um investimento na qualificação dos professores.

A covid-19 teve um grande impacto no ensino, algumas pessoas acreditam que as crianças perderam conhecimentos que nunca irão recuperar totalmente. Na sua opinião, o ensino online pode se tão eficaz como o presencial?

No pós-aulas, quando temos um professor com uma criança, eu acredito que o ensino online é mais eficaz. Mas no que toca ao período letivo, quando uma criança vai realmente à escola é importante que também tenha interação social com outras crianças. E isso é algo que o online não consegue substituir. Mas é a combinação de ambos que o torna especial.

Uma das maiores vantagens que temos online é poder aceder a professor em todo o mundo. Um professor nos Estados Unidos pode ser melhor professor para a criança, do que um que vive perto. Se combinarmos a interação social com os amigos e colegas, poderá tornar a educação realmente poderosa e individualizada.

Qual o balanço que faz da transição do ensino presencial para o online durante a pandemia?

No geral, acho que todos os professores e famílias do mundo ficaram sobrecarregados. Foi uma situação que nunca tínhamos experimentado antes. E há, de facto, muitos professores que fizeram um trabalho fantástico e que usaram a tecnologia – Microsoft Teams, Google Classroom, Zoom – para fazer muito boas aulas com alunos que estavam em casa. Mas, por causa desta situação de sobrecarga, muitas crianças foram deixas de lado, sozinhas e isso teve um impacto realmente mau nelas.

Como podemos preparar os professores para as aulas multimédia? E como conseguimos ultrapassar a barreira tecnológica entre professores e alunos?

Há duas formas para resolver: por um lado precisamos de requalificar os professores e mostrar-lhe que a tecnologia pode ter um efeito positivo na educação. Depois, na segunda parte, para a nova geração de professores, precisamos de garantir que elevamos a fasquia e fazemos regras para as candidaturas dos professores serem mais restritas.

Os professores têm de partilhar o entusiasmo pela matéria, mais do que saber responder a todas as perguntas. Quando adora matemática, poderá mostrar este amor às crianças e quão divertido pode ser e o que pode fazer com isso. Eu imagino um mundo com acesso aos melhores professores, que partilham este entusiasmo e inspiram as novas gerações.

As aulas para a internet levanta também um problema relacionado com a partilha de desinformação e conteúdos desadequados para as crianças. Como podem os professores proteger os estudantes?

Eu acredito que depende muito da forma como os professores são educados. Por exemplo, nós na GoStudent analisamos quais os professores que estão a fazer um bom trabalho e depois colocamos estes docentes a mostrar e educar os outros professores sobre como se faz. Nós precisamos de permitir aos docentes comunicarem mais uns com os outros para garantir que isto não acontece.

SIC Notícias

Acredita que a desigualdade entre famílias e crianças pode vir a ser um fator nas educação do futuro devido à digitalização?

Vou dar um exemplo: se há 20 anos quisesse ver uma palestra na Universidade de Harvard, teria de estudar em Harvard; hoje em dia pode ir ao Youtube e a plataformas como a Edix e ver esta palestra de graça. Por isso, a inovação na educação é algo que promove uma democratização e dá mais acesso a mais pessoas.

Qual foi o impacto da pandemia na GoStudent?

Tivemos dois efeitos: por um lado, devido à pandemia, as famílias – até os meus avós – usaram videochamadas pela primeira vez, e esta utilização da tecnologia é algo que as massas agora entendem; um efeito negativo foi que, por causa dos confinamentos, houve uma diminuição da procura por professores privados no pós-aulas, devido à diminuição de exames e de pressão nas escolas.

É erróneo pensar que, por as escolas fecharem, todos os pais procuram alternativas escolares. Isso não foi o que aconteceu com a maioria das pessoas no mundo. Para nós, tornou-se mais caro encontrar novos clientes, havia menos procura em geral. Mas agora, está uma tendência contrária: as escolas abriram novamente e as pessoas perceberam o quanto perderam e precisam de encontrar ajuda adicional.

Terá oportunidade de visitar a cidade de Lisboa durante esta visita?

Eu acho que Lisboa é uma cidade linda, a última vez que aqui estive foi há quatro ou cinco anos atrás, mas é definitivamente um sítio porreiro. Por acaso desta vez não terei oportunidade porque tenho muitas reuniões e apresentações, mas talvez numa próxima vez.

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