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Da Ucrânia para a Web Summit: guerra não travou a inovação e há sonhos por cumprir

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Da Ucrânia para a Web Summit: guerra não travou a inovação e há sonhos por cumprir
Filipa Traqueia

São mais de 50 as startups de origem ucraniana que, nos próximos dias, vão apresentar as suas inovações em busca de investimento e parceiros. Com a guerra, muitas startups foram forçadas a adaptar-se para continuar a operar. Parar não é uma opção.

O braço mecânico chama a atenção, movimentando-se de um lado para o outro e exibindo uma bandeira com as palavras "Stand with Ukraine" (Apoiem a Ucrânia, em português). O símbolo da Ucrânia iluminado em amarelo também chama a atenção e torna-se o pano de fundo para muitas fotografias. Enquanto a primeira-dama do país, Olena Zelenska, foi destaque da sessão de abertura da Web Summit, nos restantes dias o foco vai para as startups que sonham recuperar a economia do país que as viu nascer.

"A Rússia põe a tecnologia ao serviço do terror e o que vemos hoje é resultado do uso dessa tecnologia", afirmou a primeira-dama ucraniana, ao encerrar a cerimónia de abertura do evento tecnológico.

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Na Web Summit estão presentes 58 startups com sede na Ucrânia e 12 oradores de nacionalidade ucraniana. No stand organizado pelo Governo e por organizações de apoio a startups, os voluntários - que são também empreendedores - querem mostrar o que de melhor se faz no seu país. É o caso de Oksana Horbunova, fundadora da BazaIT, uma empresa que pretende facilitar o recrutamento de informáticos.

Enquanto faz uma apresentação do negócio, Oksana Horbunova reconhece que a situação na Ucrânia é "bastante difícil" para as empresas - tanto as novas, como as mais antigas. "Mas não estarei enganada quando digo que estamos a fazer o nosso melhor para suportar os negócios ucranianos e o setor do IT [sigla utilizada globalmente para referir o setor informático]", afirma.

A BazaIT continua a trabalhar a partir da Ucrânia - como todas as empresas com quem a SIC Notícias falou. Os vários membros da equipa estão espalhados por diferentes cidades da Ucrânia e a segurança é uma preocupação: "Não há lugares seguros agora, não sabemos qual a cidade que vai ser atingida a seguir. A palavra bravura mudou desde o início da guerra, para nós significa continuar a providenciar os nossos serviços."

Filipa Traqueia

"Acredito que, quando a guerra acabar - e toda a gente tem a certeza que será com a vitória da Ucrânia - o IT irá atrair especialistas e o investimento irá chegar à Ucrânia. Porque toda a gente está interessada em nós, o que é bastante encorajador", afirma ainda Oksana Horbunova.

Com o conflito, muitas startups foram forçadas a adaptar-se para continuar a operar, mas parar não é uma opção. Alexander Sobolenko, fundador da Releaf Paper - uma startup que pretende utilizar as folhas que caem das árvores para produzir papel - tem os olhos postos no futuro.

"Eu acredito que a economia da Ucrânia terá um rápido crescimento depois do fim da guerra. E será o país perfeito para trabalhar, porque agora todas as startups estão a pensar no futuro, acreditam na Ucrânia", partilha com a SIC Notícias.

Filipa Traqueia

No caso da Releaf Paper, houve uma alteração de mercados, com a exportação a ganhar maior relevância.

"Não posso dizer que é fácil trabalhar, mas continuamos a sobreviver e ainda temos mais planos do que antes. Continuamos a produzir os nossos produtos na Ucrânia, mas começámos a focar-nos mais na exportação para países da União Europeia e agora estamos à procura de novos mercados e novos investidores para produzir em diferentes países", explica.

Ao longo dos três dias de Web Summit, são dezenas as empresas ucranianas que procuram manter vivo o sonho de inovar e, ao mesmo tempo, ajudar a reerguer o país. Nadiia Yuzkova apresenta uma plataforma de publicidade, a BannerBoo, que ajuda a criar e gerir campanhas, enquanto Serhii Shapirenko quer dar a conhecer a fórmula que desenvolveu para ajudar os negócios a recolher feedback de todos os canais de comunicação e sistemas. Ambos procuram potenciais investidores, clientes e parceiros para expandir o projeto.

Segundo dados da Ukrainian Tech Ecosystem, existem 5.000 empresas de informática na Ucrânia, das quais mais de 1.400 são startups - incluindo cinco unicórnios (startups que ultrapassam os mil milhões de dólares). Nos primeiros seis meses de 2022, as startups ucranianas geraram perto de 350 milhões dólares. A maior parte das startups manteve pelo menos parte da operações e da equipa na Ucrânia e mais de 40% não sofreram alterações.

Lisboa como ponto de acolhimento para startups ucranianas

Uma das organizações que está presente na Web Summit é a Ukranian Hub, uma organização que tem como missão apoiar startups e potenciar formação para novos empreendedores. Olesia Malovana, uma das fundadoras da Ukranian Hub, mostrou-se orgulhosa com a participação ucraniana neste evento tecnológico.

Olesia Malovana reconhece que a atual situação na Ucrânia tem "enormes desafios" para os empreendedores, no entanto lembra que "as startups são muito flexíveis, são pequenas, são ativas e querem sobreviver".

À semelhança de milhões de pessoas, a guerra com a Rússia levou Olesia Malovana a deixar a Ucrânia. Mudou-se para Lisboa, onde continua a trabalhar de perto com startups. Para tal, foi criada uma organização subsidiária da Ukrainian Hub que apoia refugiados a desenvolver empresas recém-criadas. Para Olesia Malovana, a capital portuguesa "tem boas parcerias", um "grande número de aceleradores e incubadores, diferentes programas para startups e visa para nómadas digitais".

"É uma ótima oportunidade para crescer startups, e é um ótimo país", acrescenta. "Eu adoro Portugal".

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