Educação

29.06.2021

Envelhecer bem e ativo nas Universidades Seniores

Foi com a ideia de desenvolver um projeto de envelhecimento ativo que, há 19 anos, nasceu a Associação Rede de Universidades da Terceira Idade (RUTIS). Objetivo: envolver os mais velhos em diversas atividades culturais, combatendo o isolamento e a iliteracia

Sessenta e dois mil alunos frequentam hoje, em Portugal, 368 Universidades Seniores (US) onde lecionam 7500 professores voluntários, segundo os dados divulgados por Luis Jacob, presidente fundador da associação RUTIS.

Participam em aulas de vários tipos e diversas atividades como teatro, dança e música, além de encontros, concursos, passeios culturais e atividades desportivas.

Desta forma, deixam de parte a solidão e participam no projeto de envelhecimento ativo, que promove um estilo de vida saudável e tempo de qualidade. “Estes eventos têm sempre como referência chegar a todo o território nacional e permitir que o maior número possível de seniores participe”, diz Luis Jacob.

Com o objetivo de apoiar e representar as Universidades Seniores, a RUTIS funciona a nível nacional, com sede em Almeirim e um polo no Porto.

Foi criada em 2002 por 15 universidades seniores mas apenas em 2005, com o apoio da SIC Esperança, foi criada formalmente, por escritura.

Além das mensalidades pagas pelos alunos e do apoio das autarquias, a RUTIS recebe também, todos os anos, um apoio da Segurança Social para se manter à frente deste projeto.

A importância do “mundo online” para minorar o isolamento

A pandemia não impediu a continuação das aulas dirigidas aos mais velhos. Apesar da interrupção das atividades presenciais, desde março de 2020, “rapidamente alunos e professores se adaptaram com sucesso ao meio digital”, diz Luis Jacob, citando um inquérito da RUTIS realizado em junho de 2020. “72% das Universidades seniores tiveram algum tipo de atividades online. Destas, a maioria optou pelo facebook, em grupos privados ou abertos a todos; por aulas de zoom ou conversas no WhatsApp. Este tipo de serviços foi considerado Muito Bom ou Bom para 82,4% das alunos.”

Além dos serviços online, várias Universidades Seniores “também proporcionaram serviços de animação ao domicílio com a entrega de jogos e atividades em papel, quando foi possível, ou telefonando regularmente aos alunos.” Estes serviços “serviram para complementar a oferta das US, porque infelizmente sabemos também que este serviço digital chegou apenas a uma pequena parte dos alunos, entre 20% a 30%, por dificuldade de acesso aos meios informáticos, inexperiência no uso das ferramentas digitais, por desconhecimento ou por desinteresse”, diz Luis Jacob.

Para os que participaram, no entanto, “o mundo online foi muito importante para minorar o isolamento forçado.” Num inquérito realizado em fevereiro deste ano, “76 % dos alunos consideram importante ou muito importante a participação online para diminuir o seu sentimento de solidão e isolamento, com apenas 6% a indicar que não tiveram influência neste campo.”

Tendo em conta este cenário, a RUTIS decidiu criar, em março de 2020, a Universidade Sénior Virtual para os seniores, alunos ou não das Universidades, de forma a poderem ter acesso a aulas e atividades diversas. Este projeto, gratuito e acessível a todos, funciona no site www.seniorvirtual.pt e conta com mais de 1600 alunos que participam em 20 aulas/rubricas semanalmente. Recentemente este projeto foi alargado ao Brasil.

Desde 2008, que a associação participa regularmente em projetos europeus, nomeadamente através do ex-programa Grundtvig, atual Erasmus +, da Comissão Europeia.

Em fevereiro de 2012, a associação foi admitida no Conselho Económico e Social e pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 61/2012 integrou a Comissão Nacional de Acompanhamento das Atividades do Ano Europeu do Envelhecimento Ativo e da Solidariedade entre as Gerações (AEEASEG) em Portugal.

A rede já foi distinguida com vários prémios, entre os quais, o projeto Walking Football ,um dos três projetos finalistas dos prémios de Boas Práticas de Envelhecimento Ativo e Saudável em 2019; o prémio europeu Active Citizens of Europe Awards, com o projeto Inovação no Voluntariado, atribuído pela Volonteurope, em 2019, e o prémio nacional da Associação Direito a Aprender em 2018.