Foi uma noite de tempestade invulgar em Portugal. Foram registados mais de 33 mil relâmpagos por todo o país, um dos episódios elétricos mais fortes dos últimos anos. Foram horas chuva, vento, mas sobretudo de forte trovoada. O Instituto Português do Mar e da Atmosfera já tinha antecipado muita atividade elétrica com aviso laranja, mas a severidade do fenómeno acabou por causar relâmpagos a iluminarem os céus com intervalos de 1 a 2 segundos.
Este fenómeno não é inédito, mas está a tornar-se mais frequente com o aquecimento global, explica o diretor do Departamento de Meteorologia do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
Victor Prior sublinha que o fenómeno "não é inédito, mas também não é comum" e que está ligado à passagem de uma superfície frontal fria.
Segundo o responsável do IPMA, foram registadas milhares de descargas elétricas, dois terços entre nuvens. "Muita gente gosta deste espetáculo de som e luz, mas é também um fenómeno perigoso", realça, lembrando que os raios positivos são os mais perigosos, apesar de normalmente menos frequentes.
Victor Prior detalha também que a atividade elétrica resulta de movimentos verticais muito rápidos dentro das nuvens cumulonimbus, que podem atingir entre cem metros e 12 quilómetros de altura. Esses movimentos separam as cargas elétricas positivas e negativas, originando os raios.
Questionado sobre o impacto das alterações climáticas, o diretor do IPMA confirmou uma tendência: "Os registos mostram que estes episódios são cada vez mais frequentes, tal como as chovadas intensas."
O especialista esclarece que o fenómeno desta noite concentrou-se sobretudo na região Centro e Noroeste do país, incluindo a Grande Lisboa, com menos atividade elétrica a Sul do Tejo.
