Meteorologia

Entrevista SIC Notícias

"Temos ondas a chegar até 5 metros no Sul do país, pode haver situações de cheias costeiras"

Duarte Costa, especialista em alterações climáticas, explica que a tempestade Cláudia resulta de uma depressão estacionária sobre o território e alerta para a relação direta entre este tipo de fenómenos e o aquecimento global.

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Portugal enfrenta um dia de chuva intensa, com inundações, trovoadas e ondas que podem chegar aos 5 metros. Os efeitos da depressão vão sentir-se com maior intensidade esta quinta-feira, com forte precipitação em quase todo o território. Amanhã, a chuva deverá continuar, embora com menor intensidade, e no sábado a instabilidade concentrar-se-á sobretudo no sul do país. Segundo Duarte Costa, a partir de domingo é esperado um alívio, ainda que temporário, já que novas depressões poderão formar-se nos próximos dias.

“Estamos a enfrentar uma depressão prolongada, o que significa que o solo já não consegue escoar a água e isso aumenta o risco de cheias e deslizamentos de terra”, explica o especialista.
"A partir do domingo, acredito que possa haver um alívio, mas podemos ter um alívio de alguns dias e depois voltarmos a ter outra vez chuvas e ainda não sabemos quão intensas serão na próxima semana", sublinha.

Duarte Costa alerta também para a forte agitação marítima, com ondas que podem chegar aos cinco metros no litoral sul e na costa do Alentejo e de Lisboa, o que pode originar cheias costeiras, especialmente em locais como Algés, no concelho de Oeiras.

Sobre as descargas elétricas intensas, que também se podem registar, Duarte Costa lembra os cuidados a ter: "As tempestades com descargas positivas têm um impacto nos aparelhos elétricos, é bom desligar da corrente os aparelhos eletrónicos que queiramos proteger porque pode haver aqui a condução de energia através dos sistemas elétricos e, obviamente, isso levar à queda da energia".

“Estamos a sentir em Portugal as consequências de um Polo Norte altamente aquecido, resultado das emissões globais”, sublinha. O especialista defende que, apesar de alguns sinais positivos a nível internacional, a falta de ambição política continua a comprometer a capacidade de resposta à crise climática.