Meteorologia

"Muitas derrocadas", corte de vias e casas inundadas devido à chuva forte

Na última noite, a depressão Joseph afetou sobretudo a região Norte e de Lisboa e Vale do Tejo. A maioria das intervenções dos bombeiros estiveram relacionadas com inundações em habitações e queda de árvores.

"Muitas derrocadas", corte de vias e casas inundadas devido à chuva forte
Jeff Chiu/AP

O mau tempo na segunda-feira à noite levou ao corte de vias em Arcos de Valdevez e Caminha, enquanto em Ponte de Lima casas ficaram inundadas devido à forte chuva, adiantaram fontes da autarquia e dos bombeiros.

Em Arcos de Valdevez, "muitas derrocadas" deixaram várias vias intransitáveis, estando as autoridades a proceder à sinalização, referiu à agência Lusa Olegário Gonçalves, presidente da autarquia do distrito de Viana do Castelo.

Devido à subida do rio Vez, a Estrada Municipal 505 ficou submersa e um carro ficou preso ao tentar passar a via.

Fonte dos bombeiros de Arcos de Valdevez referiu que o condutor conseguir sair a tempo e a viatura ficou no local, submersa pela água que continuava a subir "com grande velocidade".

"Quando baixar o caudal do rio voltaremos ao local para ver se a viatura ainda estará no local e depois tentar retirá-la", acrescentou.

O autarca de Arcos de Valdevez destacou ainda que o centro histórico, na zona da Valeta, como é tradicional, já está inundado, tendo sido cortados vários acessos, incluindo a estrada junto às piscinas.

Olegário Gonçalves adiantou também à Lusa que o Hotel Ribeira em Arcos de Valdevez também sofreu uma inundação no piso do rés do chão, na zona de máquinas e do parque de estacionamento, acrescentando que não houve necessidade de retirar ninguém.

A Câmara de Caminha referiu numa publicação na rede social Facebook na segunda-feira à noite que a circulação na Estrada Nacional 301, entre Venade e Argela, estava temporariamente suspensa devido "ao aumento do caudal dos afluentes do Rio Coura, que a esta hora já transbordaram os limites da via".

"Esta situação origina assim condições que não permitem a circulação em segurança. A via permanecerá encerrada até que estejam reunidas as condições adequadas para a reposição da normal circulação, estando a situação a ser acompanhada pela Proteção Civil Municipal", divulgou ainda a autarquia do distrito de Viana do Castelo.

Em Ponte de Lima, também no distrito de Viana do Castelo, o comandante dos bombeiros, Carlos Lima, referiu à Lusa que o caudal do rio Lima estava a subir, mas ainda sem infraestruturas em risco.

Dezenas de casas atingidas pela chuva

A maioria das intervenções na segunda-feira à noite e madrugada de hoje para os bombeiros estiveram relacionadas com inundações em habitações e queda de árvores.

"Temos dezenas de casas atingidas pela chuva intensa", apontou Carlos Lima, acrescentando que não foi necessário realojar moradores.

Na segunda-feira à tarde, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Monção, José Passos, tinha referido que o rio Minho galgou as margens.

O responsável adiantou ainda que os bombeiros iam continuar a monitorizar a subida do caudal do rio Minho, que divide Portugal de Espanha, devido à chuva prevista e da neve que começou a derreter.

Proteção civil com 490 ocorrências entre as 00:00 e as 07:45

A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) registou 490 ocorrências, entre as 00:00 e as 07:45 relacionadas com o mau tempo, a maioria na região metropolitana do Porto e principalmente quedas de árvores.

"Entre as 00:00 e as 07:45 de hoje foram registadas um total 490 ocorrências relacionadas com esta meteorologia adversa, sendo que a região Metropolitana do Porto foi a mais afetada e as ocorrências mais significativas estão relacionadas com quedas de árvores e inundações", disse à agência Lusa Paulo Santos, da ANEPC, realçando não haver registo de vítimas ou danos de maior.

Na Área Metropolitana do Porto foram registadas 141 ocorrências, na Grande Lisboa 35, na região Oeste 22, Alentejo 24 e Alentejo 16, estando as restantes espalhadas por outras regiões do continente.

A maioria das ocorrências deveu-se a quedas de árvores, inundações de estruturas ou superfícies por precipitação intensa, limpezas de via, queda de estruturas e movimentos de massa.

Fonte da Guarda nacional Republicana (GNR) adiantou há Lusa que há muitas estradas cortadas em Portugal continental.

Na segunda-feira, foram registadas mais de 700 ocorrências, até às 20:00, devido ao mau tempo em Portugal continental, que afetaram sobre tudo a região Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, levando ao realojamento de uma família no concelho de Oeiras.

Um deslizamento de terras colocou em perigo uma habitação em Porto Salvo, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, levando ao realojamento de uma família de dois adultos e três crianças pela autarquia, adiantou na segunda-feira à Lusa Pedro Araújo, oficial de operações da ANEPC.

Num balanço à agência Lusa, Pedro Araújo referiu que o Norte foi a região mais afetada com 237 ocorrências, seguida de Lisboa e Vale do Tejo (215) e Centro (214).

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) agravou na segunda-feira para vermelho os avisos devido à agitação marítima e para laranja devido à queda de neve, devido aos efeitos da depressão Joseph na passagem por Portugal continental.

Todos os distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo por causa do vento forte com rajadas até 80 quilómetros por horas, sendo até 100 nas terras altas, até às 15:00 de hoje e entre as 03:00 e as 09:00 de quarta-feira.

Os 18 distritos estão igualmente sob aviso amarelo entre as 03:00 e as 09:00 de quarta-feira devido à previsão de chuva por vezes forte.

[Notícia atualizada às 09:05]

Com Lusa