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"O pior já passou”: depressão Kristin vai agora a caminho de Espanha, diz climatologista

Em entrevista à SIC Notícias, o climatologista Mário Marques explicou que a depressão Kristin segue agora a caminho de Espanha, mas sublinhou que, “o maior impacto foi no nosso território.”

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A madrugada desta quarta-feira foi marcada por chuva intensa e rajadas de vento devido à depressão Kristin, que continuará a sentir-se em todo o território continental ao longo do dia.

Em entrevista à SIC Notícias, o climatologista Mário Marques assegurou que, apesar do pior já ter passado, a situação ainda exige atenção.

“O pior já passou. Contudo, ainda existe vento forte com rajadas que podem atingir os 100 km/h entre a Figueira da Foz e Sines, porque é o olho desta depressão”, disse.

Nas próximas horas, é esperado um desagravamento gradual, com o vento a mudar de direção e a intensidade a diminuir substancialmente. Ainda assim, e apesar do maior impacto da depressão ter sido nas regiões do centro do país, o sul ainda será afetado.

“O Algarve e a Costa Vicentina, a sul de Sines, nas próximas horas será também alvo de vento forte, sobretudo até meio da manhã. Barlavento terá muito mais impacto que sotavento”, explicou.

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O climatologista alertou também para a agitação marítima, que continuará a trazer riscos à costa:

“Poderá existir um aumento significativo, não só do nível da maré, como da agitação marítima, sobretudo na região de Lisboa. Pode atingir entre 8 e 8,5 metros durante a manhã, descendo para seis metros a partir do final do dia, afetando também parte da Costa Vicentina.”

Além disso, reforçou que a depressão não trouxe apenas vento e chuva, mas também neve e risco de degelo rápido.

“Já começa a chover na parte final da manhã e haverá um degelo muito rápido, porque as temperaturas mínimas vão subir substancialmente. É preciso estar atento à chuva da próxima madrugada, pois o risco de inundações nos rios é elevado”, avisou.

“O maior impacto foi no nosso território”

Durante a entrevista, o especialista recordou que Portugal tem enfrentado sucessivas depressões, o que aumenta “a vulnerabilidade do território”.

“Sucessões de tempestades tornam as situações ainda mais perigosas, porque os riscos aumentam de forma substancial e os solos estão completamente saturados”, explicou.

Depois de atravessar Portugal, a depressão segue para Espanha, "no sentido Leiria–Sevilha", provocando precipitações intensas sobretudo no sul do país vizinho.

“O vento vai diminuir um pouco, mas ainda assim serão ventos que poderão provocar danos”, afirmou Mário Marques reforçando que, contudo, “o maior impacto foi no nosso território”.

Quanto aos próximos dias, é esperado um desagravamento gradual do tempo, com melhoria progressiva em grande parte do país.

“A partir de amanhã à tarde, e sobretudo na sexta-feira, vamos ter dias com mais abertas, apesar de alguns aguaceiros no sábado. Teremos três dias de relativa trégua, sobretudo nas regiões do sul e centro. De forma geral, há um desagravamento significativo”, afirmou o climatologista.

Mário Marques alertou, no entanto, que no início da próxima semana as condições meteorológicas poderão voltar a agravar-se.

“A partir do dia 1 teremos novamente a entrada de novas depressões”, garantiu.