Meteorologia

"Sobrevivemos aqui não sei como": popular viu casa pronta a estrear ser destruída pela tempestade

A tempestade destruiu grande parte da casa de Paulo Morgado e da mulher. O telhado voou com a força do vento e uma parte da estrutura da casa em Maceira, no concelho de Torres Vedras, cedeu.

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Paulo Morgado e a mulher viram a sua casa quase pronta a estrear a ser destruída em duas horas, consequência da depressão Kristin. O casal dorme há uma semana num dos quartos, a única divisão onde não chove.

A tempestade levou-lhes o teto e fez ceder parte da estrutura da casa em Maceira, no concelho de Torres Vedras, distrito de Leiria.

"Sobrevivemos aqui não sei como, ia fazer um ano este mês que nos tínhamos mudado, ainda com algumas fragilidades mas já cá estávamos a viver. Tentei salvar isto de alguma forma, mas foi impossível porque nada poderia salvar fosse o que fosse", disse Paulo Morgado.

O casal diz que sem a ajuda do irmão e do sobrinho ainda teria sido pior.

"A degradação tem sido de hora a hora, e cada vez está pior. Dificilmente iremos ter o que tínhamos. Precisamos mais do que nunca de ajuda e, claro quem estiver disponível nós estamos cá", acrescentou.

Nas zonas mais afetadas pela tempestade, a população pede ajuda para reparar os danos. Em Figueiró dos Vinhosmais de 400 casas que precisam de coberturas, na zona da Marinha Grande as comunicações ainda estão com problemas, e a baixa de Alcácer do Sal voltou a ficar inundada com a subida do Rio Sado.

"Estamos cansados, não há qualquer tipo de dúvida sobre isso, mas estamos prontos para continuar a fazer o nosso trabalho", afirmou Mário Silvestre, do Comando Nacional de Emergência e Proteção Civil.

Esta terça-feira ainda havia condicionamentos na linha do Oeste, na linha do Douro e no Ramal de Alfarelos.

São muitos os constrangimentos causados pelo temporal, em Oleiros mais de 70% do território está sem comunicações. Na Sertã há mais de seis mil clientes que se encontram sem eletricidade e, a zona da Ponte de Mosteiró, em Mirandela, voltou a ficar submersa.

"Estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para minimizar estes impactos", alertou Mário Silvestre.

Ainda há várias zonas onde as estradas cortadas, nomeadamente a A14 que liga Coimbra à Figueira da Foz que se encontra cortada nos dois sentidos.