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Construtor de edifício junto ao Muro de Berlim renuncia ao desmantelamento

O construtor de um edifício junto ao maior trecho do 'Muro de Berlim' que ainda permanece de pé, renunciou hoje a destruir mais segmentos face a protestos na capital contra o desmantelamento de um dos últimos vestígios da Guerra Fria.

© Fabrizio Bensch / Reuters

"Não preciso forçosamente deste buraco" no muro, afirmou Maik Uwe Hinkel,  construtor de um edifício de apartamentos de luxo junto ao Muro de Berlim,  em declarações hoje publicadas no jornal Bild, e nas quais se mostra disposto  a um compromisso. 

Cerca de 5.000 pessoas manifestaram-se, este domingo, na capital alemã  contra o polémico plano de desmantelar uma parte da conhecida como "East  Side Gallery",  decorada com murais de artistas  internacionais, salientou a polícia local. 

A concentração decorreu sem incidentes e contou com várias intervenções  de políticos e artistas ligados de alguma forma ao Muro de Berlim. 

Maik Uwe Hinkel mostrou-se disponível para alterar os planos do seu  complexo, caso haja acordo com as autoridades e construtores vizinhos. 

Outro projeto também de luxo está projetado para a mesma zona e será  necessário retirar mais uma parte do que resta do muro para a sua concretização,  nomeadamente para estradas de acesso, como aconteceu no projeto de Hinkel.

Os primeiros protestos aconteceram na sexta-feira após uma equipa de  trabalhadores e de membros das forças de segurança terem removido do local  o primeiro dos blocos de cimento pré-moldados que formam o Muro de Berlim.

O Muro de Berlim dividiu a capital alemã durante 28 anos separando a  parte ocidental, capitalista e democrática, da Alemanha Oriental e ao longo  dos anos foi o palco da morte de 136 pessoas que o tentaram atravessar.

A 09 de novembro de 1989 o Muro caiu, mas algumas secções foram preservadas,  como recordação de uma divisão histórica que se seguiu à Segunda Guerra  Mundial e que hoje figuram como das principais atrações da capital alemã.