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Coreia do Sul pede diálogo ao Norte para reabrir complexo de Kaesong

O ministro da Unificação da Coreia do Sul, Ryoo Kihl-jae, apelou hoje à Coreia do Norte que aceite dialogar para permitir o reinício da atividade no complexo industrial conjunto de Kaesong, encerrado por Pyongyang há três dias.

© Kim Hong-Ji / Reuters

"Pyongyang deve sentar-se à mesa das negociações imediatamente", disse  o ministro encarregado das relações com o Norte, numa conferência de imprensa  em Seul. 

Para Ryoo, a suspensão das atividades no complexo industrial, único  projeto conjunto das duas Coreias, não ajuda o povo coreano e está a causar  importantes prejuízos, tanto às empresas do Sul como aos trabalhadores do  Norte. 

Horas antes destas declarações, a agência estatal da Coreia do Norte,  a KCNA, publicou um texto que responsabiliza o Sul pelo encerramento do  complexo, situado em território norte-coreano, e ameaça fechá-lo definitivamente.

Na terça-feira passada, a Coreia do Norte retirou unilateralmente os  seus trabalhadores de Kaesong. Situado a poucos quilómetros da zona desmilitarizada  que separa as duas Coreias, o complexo alberga 123 empresas sul-coreanas  que empregam cerca de 54.000 norte-coreanos. 

As duas Coreias vivem um dos momentos de maior tensão das últimas décadas,  com constantes ameaças e hostilidades do regime de Kim Jong-Un à Coreia  do Sul e aos Estados Unidos há mais de um mês, depois de a ONU anunciar  novas sanções contra Pyongyang pelo ensaio nuclear realizado em fevereiro.

Apesar da tensão, o Ministério da Unificação da Coreia do Sul voltou  hoje a assegurar que continua a fornecer ajuda humanitária ao vizinho do  Norte, "independentemente da situação política". 

Em comunicado, uma porta-voz do ministério repetiu a postura manifestada  na semana passada pelo ministro Ryoo Kihl-jae, indicando que Seul avaliará  "caso a caso" a ajuda enviada por organizações públicas e privadas para  garantir que ela se destina exclusivamente a satisfazer as necessidades  dos mais fracos.