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Rússia abre inquérito "por pirataria" contra militantes da Greenpeace em ação no Ártico

As autoridades russas abriram um inquérito  "por pirataria" contra militantes da organização ecologista Greenpeace,  pelas ações contra uma plataforma russa no Ártico, anunciou hoje a comissão  de inquérito russa.

Denis Sinyakov

Um inquérito criminal por pirataria por grupo organizado foi aberto,  indicou a comissão em comunicado. A justiça russa prevê uma pena de 15 anos  de prisão para este crime.  

"Todas as pessoas que participaram no ataque à plataforma  1/8da empresa  russa Gazprom 3/8 terão de responder perante a lei, independentemente da nacionalidade",  acrescentou.  

Entre os militantes a bordo do "Artic Sunrise" encontravam-se vários  estrangeiros.  

Membros da comissão de inquérito encontram-se já em Murmansk (norte),  para onde o quebra-gelos da 'Greenpeace' está a ser rebocado pelas autoridades  russas, depois de ter sido tomado de assalto na quinta-feira por forças  especiais, de acordo com a organização não-governamental (ONG).  

Os investigadores "pretendem questionar todos os participantes e acusar  os mais ativos", precisou a comissão.  

Este organismo, encarregado das investigações criminais na Rússia, acusou  os militantes da 'Greenpeace' de terem posto em perigo os trabalhadores  na plataforma e o ambiente.  

"É difícil acreditar que estes alegados militantes não soubessem que  a (plataforma) é um objeto de alto risco e qualquer ação não autorizada  podia provocar um acidente, pondo em risco pessoas a bordo e a ecologia",  sublinhou o comunicado da comissão.  

O "Artic Sunrise", com pavilhão holandês, foi enviado para o mar de  Barents em protesto contra projetos de exploração petrolífera do gigante  russo Gazprom. 

Na quarta-feira, dois militantes da 'Greenpeace', originários da Suíça  e da Finlândia, foram detidos durante uma intervenção mais dura dos guardas  fronteiriços, depois de subirem à plataforma petrolífera 'Prirazlomnaia'.

Os dois foram libertados depois de terem passado algumas horas a bordo  de um navio da guarda costeira, e juntaram-se à equipa do "Artic Sunrise".

Na quinta-feira, os guardas fronteiriços lançaram, de acordo com a 'Greenpeace',  um assalto armado para tomar o controlo do navio quebra-gelo. 

Comandos armados com espingardas desceram de um helicóptero para o "Artic  Sunrise" e fecharam toda a tripulação na sala da messe, disse a ONG.  

A Gazprom prevê lançar a produção na plataforma 'Prirazlomnaia' no primeiro  trimestre do próximo ano, e os ecologistas denunciaram o risco de poluição  numa zona próxima de três reservas naturais protegidas pela lei russa. 

A Rússia definiu o desenvolvimento do Ártico, rico em hidrocarbonetos  e ainda inexplorado, como uma prioridade estratégica.  

 

Lusa