O acordo, se entrar em vigor, poderá ser considerado o primeiro gesto humanitário do regime de Damasco desde o fim da primeira ronda das negociações de paz com a oposição síria, sob a égide das Nações Unidas, realizada em finais de janeiro em Genebra, Suíça.
"O governador de Homs, Talal Barazi, e o coordenador residente da ONU, Yaacoub Helou, alcançaram um acordo que garante a saída de civis inocentes da antiga cidade de Homs e a entrada de ajuda humanitária para os civis que escolherem ficar", referiu a agência estatal síria Sana.
Momentos depois, as Nações Unidas, através do porta-voz adjunto Farhan Haq, também confirmaram este acordo, referindo que esta "pausa humanitária" em Homs "irá permitir fornecer uma ajuda vital a cerca de 2500 civis" presos pelos combates.
Os bairros de Homs controlados pelas forças rebeldes estão cercados desde junho de 2012 pelo exército, que lança regularmente ofensivas.
Milhares de sírios vivem em condições terríveis, segundo os relatos de organizações não-governamentais, ativistas e testemunhas locais.
Durante as negociações de paz em Genebra, o mediador internacional Lakhdar Brahimi anunciou que o regime de Damasco tinha assumido o compromisso de deixar sair os civis cercados em Homs.
No entanto, as duas fações do conflito sírio têm vindo a trocar acusações mútuas sobre eventuais bloqueios.
Segundo a agência Sana, "em conformidade com o acordo, as partes sírias vão prestar a assistência humanitária necessária, incluindo alojamento, alimentação e cuidados médicos, aos cidadãos inocentes que saíam" dos bairros sitiados.
"Alimentação, medicamentos e outras ajudas serão enviadas aos civis que optarem por permanecer" nos bairros de Homs, acrescentou a agência estatal.
Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), cerca de três mil pessoas estão presas em Homs, onde os alimentos e os medicamentos estão esgotados.
Homs, a terceira cidade da Síria, é considerada como um foco da contestação ao regime do Presidente Bashar al-Assad, sendo por isso uma das zonas mais devastadas do país.
Abu Ziad, um ativista que reside numa zona sitiada de Homs, afirmou à agência francesa AFP, via Internet, que "as famílias estão prontas para sair" de Homs.
"Muitas famílias querem sair", reforçou o ativista.
O conflito na Síria prolonga-se desde março de 2011 e, segundo o OSDH, já fez 136 mil mortos.
Lusa
