Segundo um novo balanço dos 'media' turcos, dezenas de pessoas também ficaram feridas durante os confrontos entre forças de segurança e os manifestantes que contestavam a política do regime islâmico-conservador face aos 'jihadistas' do Estado Islâmico (EI), e que se estenderam a diversas regiões do país, incluindo no sudeste onde habita uma maioria de população curda.
A polícia interveio com canhões de água e gás lacrimogéneo para dispersar os manifestantes em vários bairros de Istambul, na capital Ancara, em Diyarbakir (a capital curda do sudeste da Turquia) e na conhecida estância balnear turca de Antalya (sul).
Na segunda-feira passada, o principal partido curdo da Turquia, o Partido Democrático Popular (HDP), apelou a todos os curdos do país para saírem para as ruas. No mesmo dia, manifestantes incendiaram carros em Istambul.
Após vários dias de intensos bombardeamentos, os combatentes do grupo radical EI conseguiram entrar, na segunda-feira, em Kobani e assumiram o controlo de vários bairros, o que fez aumentar os temores de uma rápida queda da cidade.
Aviões da coligação internacional, liderada pelos Estados Unidos, bombardearam hoje várias posições dos 'jihadistas' em Kobani, relatou uma jornalista da agência noticiosa francesa AFP, a partir da fronteira turca.
Apesar de o parlamento turco ter autorizado uma operação militar na Síria e no Iraque contra os 'jihadistas' do EI, o poder turco islâmico-conservador optou, até à data, não intervir, provocando a indignação e a fúria das populações curdas.
Num campo de refugiados no sul da Turquia, o Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, considerou hoje que será necessária uma operação militar terrestre para travar o movimento extremista islâmico.
"O terror não vai acabar (...) a menos que cooperemos para uma operação terrestre", afirmou Erdogan, ao dirigir-se aos refugiados sírios em Gaziantep.
Na mesma intervenção, que foi transmitida pela televisão, o chefe de Estado turco afirmou que os ataques aéreos não estão a ser suficientes.
"Os meses passaram, mas nenhum resultado foi alcançado. Kobane está quase a cair", acrescentou Erdogan.
Lusa
