José Marcos Mavungo encontra-se detido na província angolana de Cabinda desde 14 de março, data em que estava prevista uma manifestação contra a alegada má governação em Cabinda e violação de direitos humanos no enclave.
Em declarações hoje à agência Lusa, o porta-voz do grupo de ativistas de direitos humanos que promove uma campanha de recolha de assinaturas para a libertação de Mavungo, disse que as investigações já foram concluídas e entregues na Direção Provincial de Investigação Criminal (DPIC) ao procurador-geral adjunto na província, que as remeteu para o tribunal.
"Mas, até agora, os advogados não foram notificados e o doutor Marcos Mavungo continua detido, o que significa que as investigações apontam para qualquer tipo crime e mantém-se a acusação de crime contra a segurança de Estado", referiu Filomeno Vieira Lopes.
Segundo Filomeno Vieira Lopes, aquele ativista apresenta vários problemas de saúde nomeadamente no fígado e coração, e tem recebido assistência médica da cadeia, que considera "duvidosa".
O porta-voz do grupo de ativistas, com representantes de partidos políticos, da sociedade civil e de organizações de defesa dos direitos humanos, considerou todo o processo "uma maquinação" das autoridades para manter Marcos Mavungo detido.
De acordo com Filomeno Vieira Lopes, o grupo está a preparar expedientes para serem entregues na Presidência da República, na Procuradoria-Geral da República e no Ministério da Justiça e dos Direitos Humanos de Angola.
"O abaixo-assinado já foi entregue às autoridades de Cabinda e vamos na sexta-feira submeter este expediente às autoridades centrais e igualmente solicitar audiências", referiu.
No mês passado, uma delegação deste grupo deslocou-se à Cabinda para uma visita de dois dias, para avaliar a situação legal e o estado de saúde de Marcos Mavungo.
A delegação manteve contactos com Marcos Mavungo e a sua mulher, os advogados envolvidos no processo, com o diretor dos serviços prisionais e com outros detidos.
Nessa visita, o grupo constatou o grave estado de saúde de Marcos Mavungo e solicitou ao Ministério Público a sua libertação.
Outras duas pessoas, entretanto já libertadas, foram detidas na mesma ocasião sem mandado de captura, "porque havia uma grande suspeição do crime contra a segurança de Estado", alegaram anteriormente as autoridades.
Lusa
