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Estudantes venezuelanos pedem ao Vaticano que ajude a restituir fio constitucional

© Marco Bello / Reuters

Centenas de estudantes universitários venezuelanos marcharam esta quinta-feira até à sede da Nunciatura Apostólica de Caracas, onde entregaram um documento pedindo a mediação do Vaticano para restituir o "fio constitucional" na Venezuela.

Os manifestantes, entre eles vários estudantes de comunicação social luso-descendentes, partiram desde Chacaíto (leste) até La Salle (centro-leste), onde entregaram um documento ao núncio apostólico, Aldo Giordano, com vários pedidos.

"Não somos a MUD (aliança opositora Mesa de Unidade Democrática), não somos (Nicolás) Maduro, somos estudantes que defendem o seu futuro", gritaram os jovens enquanto percorriam a importante Avenida Libertador em direção à Nunciatura Apostólica.

A marcha teve lugar no mesmo dia em que a oposição tinha previsto realizar uma manifestação até ao palácio presidencial de Miraflores, que foi suspendida a pedido do Vaticano, para facilitar o diálogo que o Governo e a MUD iniciaram no passado domingo sob a mediação do Papa Francisco e da União de Nações da América do Sul.

"Estávamos indecisos sobre ir ou não às aulas, porque não queríamos perder um dia de classes e depois de muita troca de mensagens todos optámos por vir marchar, porque se trata do nosso futuro e do futuro do país, temos que defender os nossos direitos perante o Governo e a oposição", explicou Carlos Abreu à Agência Lusa.

Além da restauração do "fio constitucional", explicou, os jovens universitários marcharam para pedir a liberdade de todos os presos políticos, um calendário para a realização de um referendo revogatório (do mandado do Chefe de Estado) e de eleições gerais, contra a perseguição de companheiros e de líderes políticos e contra a escassez de produtos e medicamentos.

O autarca de El Hatillo, David Smolansky, disse a Aldo Giordano que vários militantes do partido opositor Vontade Popular estão a ser ameaçados de prisão pelo Governo do Presidente Nicolás Maduro e que alguns deles, como Leopoldo López e Daniel Ceballos, permanecem injustificadamente presos e isolados numa prisão.

O representante do Vaticano insistiu na necessidade de baixar o tom dos protestos e da linguagem para que o diálogo seja um instrumento para solucionar os conflitos, vincando que o papa Francisco está preocupado e acompanha a crise política e social na Venezuela.

O presidente da Federação de Centros Universitários da Universidade Central da Venezuela, Hasler Iglesias, declarou aos jornalistas que os estudantes "desconfiam profundamente" das intenções e do chamado a diálogo do Presidente da República.

"Não necessitamos de palavras, necessitamos de alimentos, democracia e eleições e até que não se consiga isso continuaremos nas ruas. O diálogo é na rua", disse.

Anunciou que nas próximas horas vão ser agendadas novas ações de protestos pacíficos de estudantes para próxima semana.

Lusa